“As Aventuras de Molière”

Julho 15, 2008 · Imprima este Artigo

Por Lucas Sigaud

A França nos fornece mais um prazer nas telonas: “As Aventuras de Molière” (desnecessariamente alongando o título original, “Molière”), produção de 2007 que chega esta semana aos cinemas brasileiros, dirigido por Laurent Tirard. E é, dessa vez, uma comédia de época – passa-se no século XVII, quando Molière (Romain Duris) ascendia à fama em Paris.

A propósito, as locações por si só já valem o ingresso, em especial as cenas no Palácio de Versailles, no Castelo de Courances e em Le Mans. O cuidado e o esmero no vestuário dos personagens e na decoração dos ambientes também são dignos de nota (apesar de haver em cena uma harpa datada de 1760, mais de um século após o ano retratado no filme). Mas nada disso seria relevante, se o filme em si não tivesse a qualidade que tem.

O filme é focado nos acontecimentos de treze anos antes do seu “presente”, quando Molière (cujo nome na verdade é Jean-Baptiste Poquelin – Molière era o seu pseudônimo para os palcos), ainda desconhecido, é preso por não pagar suas dívidas. Um rico comerciante, casado e com duas filhas, Monsieur Jordain (Fabrice Luchini), paga suas dívidas com a condição que o ensine a ser ator para impressionar a bela marquesa Célimène (Ludivine Sagnier), sendo que sua esposa (Laura Morante), naturalmente, não poderia ficar sabendo de coisa alguma.

Com cenas cômicas, momentos emocionantes e excelentes desempenhos do elenco (em especial, Romain Duris e, principalmente, Fabrice Luchini), “As Aventuras de Molière” é a garantia certa de uma divertida noite no cinema.

Curiosidade: apesar de seu amor pela tragédia, Molière ganhou fama e reconhecimento pela reinvenção da comédia francesa, incluindo elementos (que às vezes passavam desapercebidos) de crítica (à burguesia, à nobreza ou à Igreja) e tragédia. Sua pobre trupe ficou conhecida em Paris como a “Troupe du Roi” (“Trupe do Rei”), uma vez que o Rei Luis XIV concedeu patrocínio e um salão no Louvre para as encenações de suas peças – e era freqüentador assíduo das mesmas. O próprio enredo do filme é adaptado, livremente, de duas de suas peças: “Le Bourgeois Gentilhomme” e “Tartuffe”.

[ATENÇÃO: Spoiler]

Comentários

Uma Resposta to ““As Aventuras de Molière””

  1. Sissi Freire em Julho 15th, 2008 10:14 am

    Parece imperdível Lucas. Vou conferir!


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