“Fatal”
por Lucas Sigaud em outubro 8, 2008Publicado em Cinema, Destaque

Para aqueles que não puderam assistir a “Fatal” (“Elegy”, no original – IMDB) no Festival do Rio, um alento: sua estréia aqui será já na próxima sexta-feira, dia 10 de outubro. Ainda bem – o novo longa da espanhola Isabel Coixet (que participou do interessante “Paris Je T’Aime”) merece ser visto por um público muito maior do que o festival comporta.
O filme é centrado, incluindo a esparsa narrativa, na figura de David Kepesh (Ben Kingsley), professor e crítico artístico (literatura, teatro e afins) que, de repente, vê sua vida (segunda suas próprias palavras, de “homem emancipado”) transformada pela jovem Consuela Castillo (Penélope Cruz), aluna refinada que desperta não apenas o instinto sexual de Kepesh, algo que acontece corriqueiramente, mas também possessividade, ciúmes, paixão e ansiedade, de uma forma completamente inesperada.
“Fatal”, com sua direção precisa e roteiro bem feito, já seria bom por seus próprios méritos. Mas o desempenho de Kingsley, por si só, já valeria qualquer ingresso – a sensibilidade com que aproxima o personagem, seja em sua paixão quase adolescente, seja em sua rudeza e senso de superioridade, seja em suas fraquezas, medos e perdas, apenas mostra, mais uma vez, que o ator consagrado em filmes como “Gandhi” e “A Lista de Schindler” tem ainda muita coisa a mostrar. Seus diálogos com seu melhor (e único) amigo George (Dennis Hopper, excelente) são um sabor a mais para o espectador; e Kingsley ainda nos faz acreditar, pelo primor de sua atuação, que Penélope Cruz é tão bela quanto o seu David Kepesh acredita.
Enfim, “Fatal” é um filme sobre o amor, sobre a velhice, sobre a morte, mas sobretudo sobre a vida. É delicado, emocionante e belo. E é absolutamente imperdível.
Curiosidade: a esposa de George, Amy, é interpretada por ninguém menos que Debbie Harry, vocalista da banda Blondie. E Debbie faz bonito na pequena cena em que aparece.



