“A Mais Forte, Estruturada”
por Rangel Andrade em Junho 3, 2009Com 2 Comentários, Publicado em Orgulho Nerd
O que fazemos quando somos colocados frente a frente com nossa inércia e nos deparamos com a vida que passa? Essa foi uma das perguntas que permeou minha mente ao sair da peça “A mais forte, estruturada”, em cartaz na Cia. dos Atores.
Primoroso trabalho do Teatro da Estrutura, que coloca a arte, não como um objeto de fácil apreciação, mas como um causador de perguntas e dúvidas; que nos faz questionar: qual o papel do teatro hoje? Quem somos nós diante do teatro comercial que assola nosso país? E será que estamos preparados para nos dispor de nós mesmos em busca de uma arte que cria sensações invés de dar respostas?
Somos inseridos nestas interpelações ao entrarmos no teatro e nos depararmos com um palco nu, onde só tem os atores, algumas cadeiras e objetos de cena que vão surgindo diante de nossos olhos durante a peça.
De modo sensível e muito particular, o diretor Macio Zatta, consegue criar em cada espectador uma leitura diferente para o jogo de cena que ele propõe ao atores (e que prontamente é aceito). Em um trabalho corporal belíssimo que prima, não somente pela exploração dos planos, mas pela interação entre os atores que interpretam a SenhoritaY: movimentos marcados e executados de forma precisa. É prazeroso sentir cada detalhe, cada virada de cabeça, cada pedacinho de memória que vai sendo tirado da peneira, cada bordado de nossas angústias e o vômito de nossas incertezas. Onde só resta uma certeza: “agora vou para casa, para amá-lo”.
Inspirado nos quadros de Van Gogh, os figurinos são à força do expressionismo, onde a vestimenta não cumpre só o papel de esconder a nudez, mas o de evidenciar os sentimentos de cada personagem.
Em um momento onde a cultura se volta para a massa, onde os livros mais vendidos são os de fácil digestão, onde a música que tem valor é a de letra mais fácil, onde o teatro quer se popularizar, não pela qualidade cênica, mas pela quantidade de risos e aplausos; é gratificante ver que alguns grupos ainda acreditam em um trabalho que tem como base o processo de criação e a desconstrução do ator em busca de um personagem consiso e verdadeiro.
Texto: August Strindberg.
Estrutura e Direção: Marcio Zatta.
Elenco: Otto Caetano, Helen Maltasch, Diego Sant’ana, Andréa Duat e Cíntia Travassos.
Temporada de 08 de Maio a 29 de Junho (sábados, domingos e segundas às 20 horas)
Local: Sede da Cia. Dos Atores (Rua Rua Manoel Carneiro, 12 – Lapa)
R$ 10,00 inteira / R$ 5,00 meia
Classificação: 14 anos
Informações: 21 8243 6866 / 21 7815 1930


Não via a peça ainda, mas confio na crítica de rangel, como sempre breve e com conteúdo.
Depois que eu ver, conto para vocês.
Espetáculo excelente. Direção primorosa e atuação exemplar. Strindberg está muito bem representado pelo Teatro da Estrutura.