Criação – Charles Darwin… origens

Paul Bettany encarna Charles Darwin no filme de Jon Amiel, como sempre fazendo um sólido trabalho de atuação, muito embora o passo do filme torne um tanto massante tanto a doença do pai quanto sua melancolia acerca da morte de sua filha Annie.

O público de um filme como “Creation” fatalmente é um entusiasta dos méritos da Ciência e um interessado em saber mais sobre a criação do livro “A Origem das Espécies”. O filme, contudo, falha em saciar esta sede deste público de nicho, enquanto é bem sucedido em traçar paralelos entre a morte de sua filha, Annia, instigou-o a perder a fé e motivou-o a transformar seu livro em uma forma de vingança contra Deus.

Seja ou não um fato que residia aí tal motivação, o filme descreve um arco de história coerente e convincente, que faz o espectador sentir a profunda angústia de Darwin antes, durante e depois do falecimento da personagem magnificamente bem retratada pela adorável estreante Martha West.

Embora esbarrando em alguns tantos clichês impostos pelo roteiro de John Collee e em alguma medida pelo texto original Randal Keynes, Jennifer Connelly está como sempre competente na pele de Emma Darwin, a esposa de formação e fé Cristã inabalável, receosa pelas idéias do marido e vacilante em aprovar o término do trabalho.

O eternamente subestimado Jeremy Northam, no papel do Reverendo Innes, faz um sólido trabalho, pontuando importantes cenas com o toque essencial que equilibra a falta de fé de Darwin com as necessidades humanas em acreditar em algo.

A bela música de Christopher Young acaba por destinar a narrativa a um tom um tanto plácido demais, o que não depõe contra a música mas pode levar o espectador a uma certa situação de desconforto com o desenrolar quase monótono do filme.

Sem sombra de dúvidas, contudo, o trabalho de Martha West, no papel de Annie, acaba por roubar a cena quando, nas memórias de Charles Darwin, a menina lhe pede que conte histórias reais acerca de suas viagens e suas pesquisas científicas. Em particular, a história da orangotango Jenny é profundamente tocante e serve como importante instrumento para a coesão narrativa.

Não se trata enfim de um filme empolgante ou cheio de informações interessantes sobre o processo criativo de Darwin de “A Origem das Espécies”, mas é uma interessante visita – em velocidade de cruzeiro – pelo aspecto emocional que permeou a dificuldade do cientista em concluir sua obra.

Talvez valesse a pena não chamar o filme de “Creation”, mas manter o título do texto original, “Annie’s Box”.

Annie’s Box

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