“O amor é como o vento, não posso vê-lo, mas posso sentí-lo”

Não é de hoje que os livros dão uma boa história para os cinemas, e o que dizer de Nicholas Sparks que já teve várias de suas histórias levadas ás telonas, entre eles Um amor para recordar (Adam Shankman, 2002) e Diário de uma paixão (Nick Cassavetes, 2006). E 2010 é sem dúvida seu melhor ano, são dois filmes lançados em menos de dois meses baseados em um livro seu: Querido John (Lasse Hallström) e o recente A última música (Julie Anne Robinson). Tudo bem que ele é um autor de fórmula (uma melodramática história de amor que vai terminar em lágrimas), mas seus livros são bons e a crítica aqui é de cinema, não literatura.

A adaptação do momento é de seu último livro A última música, lançado no Brasil em maio. O roteiro foi feito pelo próprio autor. A história se passa em uma pequena cidade praiana do sul, onde um pai afastado Steve Miller (GREG KINNEAR) tem a chance de passar o verão com sua relutante filha adolescente Ronnie Miller (MILEY CYRUS), que preferia estar em casa, em Nova York. Ele tenta se reaproximar dela através da única coisa que eles têm em comum: a música. Ao chegar â cidade Ronnie se apaixona por Will (Liam Hemsworth), e passa a viver as transformações que a idade lhe proporciona, como a chance de se entregar ao primeiro amor.

O filme fugiu um pouco do original e se foca mais na história de amor entre os adolescentes Ronnie e Will (Liam Hemsworth), mas ainda assim é um forte convite a se aprender um pouco mais sobre as relações entre pais e filhos. Os diálogos travados entre Steve e Ronnie no final do filme são um chamado a reflexão sobre a arte de amar e se deixar ser amado. Nicholas Sparks tem o dom de saber escrever sobre determinados assuntos, é uma história voltada para o público adolescente, mas é de uma sutiliza incrível ao falar sobre família, amizade, primeiros amores e segundas chances.

É um bom filme, embora em alguns momentos Myley Cyrus seja ela mesma, depois se transforma em Hanna Montana, volta a ser ela e quando já estamos acreditando que ela esta conseguindo fazer um bom personagem… o filme acaba. A Última Música marca a transição de Miley de uma estrela de tevê da Disney para um drama mais adulto. Mas a melhor escolha e o destaque de todo elenco ficam por conta de Bobby Coleman e Greg Kinnear, ambos interpretam pai e filho: Jonah Miller e Steve Miller, respectivamente. Dão um show á parte com doses certas de humor e tiradas bem escritas sobre o que é o namoro, são com certeza os atores mais bem aproveitados do filme.

Um personagem pouco explorado, mas que tem muito a dizer é Blaze (Carly Chaikin) e sua turma de delinqüentes que vivem criando confusões. Ela acaba se tornando uma antagonista da personagem principal e depois se transforma com os gestos de carinho a ela empregada durante a história e resolve dar a volta por cima e recomeçar sua trajetória.

O filme não agradou a crítica norte-americana: Lou Lumenick, do New York Post, chamou a atuação da adolescente de “a estreia mais questionável de qualquer cantora desde Britney Spears” e criticou Miley por “mostrar aproximadamente apenas uma expressão e meia”. E o crítico do Chicago Tribune Michael Phillips disse que Miley “interpreta uma menina brava e mal-humorada de uma forma que, é triste dizer, mostra mais as manias da ‘Hanna Montana’ do que sua própria interpretação”.

Críticas à parte sobre a eterna Hanna Montana é uma história sobre o resgate de um amor perdido que merece ser apreciado. Um bom texto. Foquem nas palavras e esqueçam a Miley, o roteiro já diz tudo (lógico que uma atriz melhor faria toda diferença).

A Última Música

titulo original: (The Last Song)
lançamento: 2010 (EUA)
direção: Julie Anne Robinson
atores: Miley Cyrus, Greg Kinnear, Bobby Coleman , Liam Hemsworth , Kelly Preston
duração: 107 min
gênero: Drama
status: inéditos

RANGEL ANDRADE

Ator e fundador da ESS N.CIA, cia de teatro.