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Buffy Reloaded - ou... Esqueça Crepúsculo
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Para quem é mais novo e só conhece Crepúsculo ou mesmo a obra antecessora, Vampire Diaries (que muitos afirmam ter sido plagiada por Stephenie Meyer), Buffy pode parecer algo bastante obscuro e antigo.

O filme

Lançado pela primeira vez em 1992, como uma comédia que acabou bastante mal vista, Buffy a Caça Vampiros teve no elenco a bonita Kristy Swanson, o barrado-no-baile Luke Perry, Hilary Swank, o eterno-andróide Rutger Hauer e o magnífico Donald Sutherland.

O filme teve como diretor Fran Rubel Kuzui, que viria a produzir alguns episódios das futuras séries Buffy e Angel, além de roteiro de Joss Whedon, um gênio incompreendido por muito tempo e cujo talento vem conseguindo mais sucesso nos quadrinhos ultimamente.

A Série de TV

Cinco anos depois, em 1997, Sarah Michelle Gellar, Alyson Hannigan, Anthony Head, Nicholas Brendon e James Marsters acabaram por estrelar na longeva e simpática adaptação da personagem para o formato série de TV, criando uma espécie de “Turma do Scooby Doo” que combatia monstros de verdade.

O humor cáustico, os diálogos bem escritos e o subtexto engenhoso sobre o crescimento de uma adolescente que seria acompanhada até se transformar em jovem adulta transformou todo o enredo em uma grande metáfora da saga feminina desde a juventude, passando pelos “meninos mais velhos, todos uns cretinos desalmados” até que a personagem se depara com um “menino mais velho” diferente dos outros.

A série Buffy durou sete temporadas, até 2003, dando origem a série Angel (outra metáfora), a várias edições em HQ, uma legião de fãs e fazendo a história da TV através de roteiros inteligentes, temática ousada, lesbianismo adolescente, paixões fulminantes e tudo à sombra do vampiro.

O Novo Filme

Estamos em uma época de revivals, na qual podemos presenciar uma quantidade impressionante de roteiros antigos sendo revisitados – para o melhor e para o pior – muitas vezes destruindo por completo o significado que fora objetivo do autor.

Buffy a Caça Vampiros, o filme, está previsto para ser lançado em 2012, estrelado por Sarah Michelle Gellar e com a participação de um relutante e crítico Joss Whedon no elenco.

Para emprestar um certo frescor à produção foi oferecida uma nova personagem para Vanessa Hudgens, que declinou por achar que se está muito próximo de “Crepúsculo” e o nível de rejeição do filme pode ser alto no momento.

Whedon, por sua vez, acha uma pena que a opção da Warner seja repaginar a série ao invés de dar continuidade a ela, ou mesmo criar algo totalmente novo. Segundo ele, estamos vivendo um momento de crise criativa e onde são poucos os autores realmente originais e poucos os produtores interessados em começar algo do zero.

Joss Whedon

O autor de Buffy fala com propriedade. Ninguém mais que ele tentou de todas as formas imprimir um novo ritmo e impor originalidade nas produções televisivas. A falta de sucesso se deveu muito mais às políticas e ao critério dos produtores do que da crítica ou da vontade e interesse do público.

Whedon tem no currículo roteiros como Toy Story, Atlantis o Reino Perdido, as séries Buffy, Angel, Firefly, Dr Horrible, Dollhouse, o filme Serenity, os que estão por ser lançados Os Vingadores, Capitão América e uma quantidade ridiculamente grande de quadrinhos.

Crepúsculo, Lua Nova, Eclipse, Amanhecer e quaisquer outros títulos que estão por vir de autores como Stephenie Meyer têm seu valor, mas é bastante óbvio do ponto de vista técnico e até de entretenimento, que o sucesso não é o melhor termômetro para se identificar material de qualidade.

A série e principalmente os livros que compõe a saga Vampire Diaries, o magníficamente bem montado True Blood e a literatura de Anne Rice, de Entrevista com o Vampiro, colocam Crepúsculo em perspectiva, tornando-a uma saga mais adolescente e, de muitas formas, com menos profundidade temática que Buffy a Caça Vampiros.

É ótimo que Stephanie Meyer tenha conseguido que tantos adolescentes, jovens e adultos tenham resolvido ler os livros da saga Crepúsculo. Torçamos para que estes tenham o senso crítico suficiente para galgar através da literatura pop até um material de maior qualidade e relevância.

Seja você cineasta, diretor, roteirista, escritor, jornalista, blogueiro, espectador ou o que quer que seja, quando escuta de alguém como Whedon que estamos em um momento de crise criativa é melhor recostar-se, ficar em silêncio e escutar… pois talvez seja mesmo o momento de refletir e torcer para que a indústria percorra um caminho diferente.

nicholas brendon rutger hauer Sarah Michelle Gellar

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