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Super 8 - crítica
Tita Mirra comment Comentários access_time 5 minutos

Quando me sentei em uma das poltronas da sala IMAX para conferir a exibição de “Super 8”, eu não sabia bem o que esperar. O sigilo em torno da produção e a ambiguidade dos materiais promocionais contribuíram para que eu chegasse ao cinema cheia de expectativas, mas totalmente despreparada para a agradável surpresa que teria em seguida.

Essa estratégia de deixar o público no escuro, com o perdão do trocadilho, conferiu mais autenticidade à experiência. Quem não é mais adolescente deve se lembrar de quando a internet mal havia sido inventada e as informações de entretenimento eram bastante reduzidas. Quando um filme estreava e todos corríamos para os cinemas, nas matinês de final de semana, sabíamos pouco ou quase nada do que aconteceria naquelas próximas duas horas.

É justamente essa época, mais lúdica, que J.J. Abrams evoca em “Super 8”. O roteirista e diretor faz uma bela homenagem aos filmes de aventura dos anos 70 e 80, quando o cinema tinha o poder de nos fazer deixar a lógica de fora da sala de projeção e, por algumas horas, acreditar na fantasia. Uma volta ao tempo em que os efeitos especiais não dominavam a trama central e as cenas de ação não substituíam o desenvolvimento dos personagens.

Assistir a “Super 8” é se encher de nostalgia e seria impossível não reverenciar Steven Spielberg, gênio por trás dos grandes sucessos da época. Estão presentes muitos elementos icônicos, como as bicicletas de cross usadas pelas crianças em “E.T”, as trapalhadas dos amigos aventureiros de “Goonies” e até um final inspirado em “Contatos Imediatos de Terceiro Grau”. E mesmo que pareça clichê, nesse caso é um artifício que funciona a favor do filme.

Não por acaso, o próprio Spielberg produziu o filme e auxiliou no desenvolvimento da história. “Super 8” é, nesse sentido, o reconhecimento de que Steven Spielberg é uma das principais influências de J.J. Abrams. Mas apesar das reverências ao mestre, o estilo próprio de J.J. fica igualmente evidente no filme e ele prova, mais uma vez, ser um contador de histórias muito competente.

A trama se passa numa pequena cidade de Ohio, em 1979, onde um grupo de amigos está rodando um filme de zumbis com uma câmera Kodak Super 8 mm. Durante uma filmagem noturna, os adolescentes testemunham a colisão de uma caminhonete e um trem, mas logo percebem que não foi um acidente. O exército chega em seguida e assume o controle do local, para assegurar que ninguém descubra a verdade. Quando estranhos desaparecimentos e acontecimentos inexplicáveis começam a acontecer na cidade, um policial local começa a suspeitar que algo muito mais assustador pode estar acontecendo.

Apesar de existir um alienígena, os humanos e suas interações são o foco da narrativa. A criatura mesmo só é revelada mais para o final, mas sentimos sua presença durante todo o filme através das reações dos outros personagens.

Assista ao trailer clicando aqui

O jovem elenco de “Super 8” merece destaque. Os dois protagonistas – Joe, vivido pelo novato Joel Courtney, e Alice, interpretada por Elle Fanning – são a alma da história. Joel transmite a dose certa de angústia e distanciamento, típicos de um adolescente que perdeu a mãe recentemente. Elle ressalta os conflitos familiares de Alice, imbuindo-a de uma melancolia que vai se dissipando na medida em que se aproxima de Joe. Há um romance entre os dois que se mantém em segundo plano, mas que dá ao público um motivo a mais com o que se importar.

Gabriel Basson como Martin, Ryan Lee como Cary e Riley Griffiths como Charles cumprem o papel de trazer alívio cômico para a trama. A dinâmica entre eles é formidável, flui super bem e nos faz acreditar de que se trata realmente de um grupo de amigos vivendo uma grande aventura, no melhor estilo “Goonies”.

Entre os adultos, Noah Emmerich dá vida ao antipático coronel Nelec, responsável pela “limpeza” do local do acidente. Kyle Chandler interpreta Jackson, policial e pai de Joe, que luta para manter o filho a salvo, enquanto Ron Eldard interpreta Louis, o pai alcoólatra de Alice. Há um drama emocional envolvendo esses dois últimos, que se desenrola durante o filme e reforça a narrativa, sem deixar cair o ritmo.

“Super 8″ provavelmente não vai bater recordes de bilheteria ou concorrer aos grandes prêmios hollywoodianos, mas tem grandes chances de se tornar um clássico, não por revisitar ícones da indústria cinematográfica, mas por mérito próprio.

Antes dele, eu não havia me dado conta da falta que faz um bom filme de aventura. E depois dele, o sorriso que estampava meu rosto, típico de quem teve suas expectativas correspondidas, dizia tudo: pode até não ser um dos melhores filmes do ano mas é, acima de tudo, cinema pipoca da melhor qualidade.

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