3 perguntas pra Douglas MCT
por Rober Pinheiro em agosto 5, 2012Publicado em Livros

Necrópolis I – A Fronteira das Almas, de Douglas MCT, teve seu relançamento anunciado pela Editora Gutenberg. Primeiro volume de uma corajosa hexalogia de dark-fantasy, o livro, que bebe de fontes tão distintas quanto Stephen King [A Torre Negra], Philip Pullman [A Bússola de Ouro] e Mike Mignola [Hellboy], traz uma narrativa fantástica que atravessa submundos paralelos cheios de criaturas místicas presentes nas mais diversas mitologias, além daquelas saídas da mente fértil do autor, entre elas lobisomens, virleonos, orias [não sabe o que são? Então, leia o livro e descubra, oras!
], duendes, fadas, deidades e sátiros.
Na história, somos apresentados a Verne Vípero, um rapaz cético que confronta sua descrença ao descobrir a possibilidade de salvar e resgatar a alma do irmão, morto de forma inusitada. Obcecado com essa nova possibilidade, ele embarca em uma jornada fantástica através de realidades que se estendem para muito além da nossa, uma viagem que irá levá-lo a conhecer os recônditos mais sombrios de Necrópolis.
Em seu caminho — como não poderia deixar de ser — vão surgir aliados para auxiliar sua busca e, claro, inimigos pra tocar um terror com ele. Dos aliados, tem pra todo gosto: de monge renegado a ladrão velocista, de mercenária saída da melhor edição da playboy a homem-pássaro pra lá de suspeito. Tendo sua crença posta à prova a cada nova descoberta, Verne percorrerá desertos mórbidos, paisagens sombrias e cidades feitas de pedra, até alcançar os confins do mundo, onde enfrentará duendes, bárbaros e um perigo sobrenatural.
“Em Necrópolis nada é o que parece e a Fronteira das Almas é o fim da travessia”, é o que dizem.
Além do tratamento completamente novo do texto e do alinhamento dos elementos da mitologia com o background já estabelecido para o próximo livro da série, chamado A Batalha das Feras, as mudanças com relação à edição anteriormente publicada pela paulistana Editora Draco também se estenderam ao layout, que agora traz ilustrações, notas explicativas, um mapa colorido em 3D e prefácios — isso mesmo, no plural! —assinados pelos escritores Helena Gomes [A Caverna de Cristais] e Leonel Caldela [Trilogia da Tormenta], que dão uma nova cara para este novo Necrópolis.
Fora os livros, este socorrense formado em Criação e Produção Audiovisual — que já trabalhou como designer gráfico, redator e roteirista de games, quadrinhos [entre eles, as HQs da Turma da Mônica], animações [Galera Animal], filmes e seriados — tem contos publicados nas coletâneas Anno Domini [Andross, 2008], Território V [Terracota, 2009], Imaginários 3 [Draco, 2010], Sagas 3 [Argonautas, 2011], Crônicas da Tormenta [Jambô, 2011] e Fantasias Urbanas [Draco, 2012], além de outra série de fantasia, chamada O Coletor de Almas, que também saiu com a chancela da Gutenberg.
Abaixo, confira o que Douglas MCT tem a dizer em 3 perguntas:
OutraCoisa: Você teve duas séries fantásticas publicadas com relativo sucesso em um curto espaço de tempo, além de contos em coletâneas e antologias. Como você vê essa abertura /expansão do mercado de FC&F nacional, especialmente com a chegada de editoras do porte da LeYa / Fantasy e da Autêntica / Gutenberg?
Douglas MCT: Eu, como você e muitos outros, acompanhei de perto essa evolução no mercado em relação à literatura fantástica nacional. Em 2005, não havia espaço nem interesse. Ele foi sendo conquistado gradualmente. Talvez pela explosão de Harry Potter, talvez pela rápida ascensão de escritores do gênero, como [Eduardo] Spohr e [André] Vianco, e também pelo grande novo acervo de filmes fantásticos que Hollywood vem produzindo, ou tudo isso junto. As editoras nacionais começaram a enxergar o potencial e a abrir portas, cada vez mais e mais. Hoje, qualquer um pode publicar — e não me refiro a publicação por demanda. Falo de forma tradicional mesmo. Não sei medir até onde isso pode ser bom. A concorrência faz o mercado fluir, é uma alquimia de riscos e efetividades; acho ótimo. No final, é o leitor, mais do que governo e editores, quem manda. É ele que faz essa filtragem, escolhe o que considera melhor e mantém o produto no mercado, ou não. E nessa expansão de mercado com novas editoras abrindo portas, como a GUT e a LeYa, também elas estão assumindo grandes responsabilidades. Não é um tiro no escuro, mas também não é um tiro certeiro. Até agora, felizmente, esses investimentos estão mostrando bons resultados. Que continue. O leitor merece o bom e o melhor.
OC: Necrópolis, sua série de dark-fantasy, está de casa nova, agora pela Editora Gutenberg. Como foi esse processo de transição e o que os leitores podem esperar dessa nova edição?
DMCT: O processo de transição da antiga editora, a Draco, para a nova, a Gutenberg, foi bem tranquilo e profissional. Considerem a edição de 2010 como Cult, de colecionador, pois ela não será tão facilmente encontrada por aí. Esta nova versão teve o texto revisado e atualizado de acordo com o segundo volume, dando mais unidade para a série, e também teve termos corrigidos e pequenos acréscimos no enredo. No mais, temos as Notas do Autor, onde eu falo um pouco mais sobre essas novidades, um Glossário, que não só explica os termos usados na história, como também destrincha elementos da trama, o Prólogo do livro 2, para degustação dos leitores, artes internas que dividem as 3 partes da obra e um mapa desenhado em 3D pelo mesmo ilustrador da capa [o desenhista M.J. Macedo], inspirado no antigo, que vem encartado em página tripla de papel couchê. É maravilhoso! Tenho certeza que o processo de imersão dos leitores será ainda maior com isso.
OC: Falando em Necrópolis, quando sairá a continuação da saga? Aproveitando, seja bonzinho e solte o verbo sobre o que virá a seguir. Que novidades você anda aprontando?
DMCT: O segundo volume de Necrópolis chama-se A Batalha das Feras e será lançado durante o Fantasticon 2012, que acontece em setembro, e em uma data posterior ainda a ser definida; a ideia é que no lançamento pós-Fantasticon role um bate-papo comigo e com a editora do título, Gabriela Nascimento. Esta continuação trabalha o medo e a coragem no protagonista, e sua evolução física e espiritual, levando-o para outros cenários de Necrópolis e também jogando-o em situações complicadas. Teremos navios piratas, um mercadão, turfe e uma guerra entre lycans e gnolls que vai mudar o personagem para sempre. E mortes. Cabeças vão rolar. Não me culpem! Já o terceiro volume da série está programado para sair em 2013. Seu subtítulo, assim como o do livro 2, será divulgado na ocasião do lançamento.
Ficou curioso para saber como ficou o novo trabalho do Douglas MCT? Pois não fique!
Necrópolis 1 – A Fronteira das Almas já está em pré-venda e o relançamento oficial ocorrerá durante a Bienal de São Paulo, no dia 12 de agosto, a partir das 16h no estande do Grupo Editorial Autêntica (Rua L78).



