3 perguntas para Amanda Reznor
por Rober Pinheiro em agosto 11, 2012Publicado em Livros
Mais uma fantasia nacional chegando, dessa vez pelas mãos de uma moçoila bem conhecida dos habitués do fandom. Primeiro livro da prolífica Amanda Reznor, Delenda conta a história de Cláudia Blaise, uma garota quase comum que vive com a avó em um bairro nobre, sustentada por uma generosa pensão deixada por seu avô. Tudo seria perfeito em sua vida não fosse o fato de ela não conhecer a mãe, que sumiu após o parto, e o pai, que foi assassinado no mesmo dia em que ela nasceu.
No seu décimo oitavo aniversário, porém, Cláudia terá uma surpresa que irá alterar para sempre toda a sua vida, um presente tentador que pode ser, na verdade, uma cilada de encantos, mistério e morte.
Com a intrigante premissa “passarão a temer as sombras do dia”, Delenda pretende instigar o leitor a desvendar os mistérios do Vale dos Segredos, um lugar onde superstição e ceticismo se encontram, morte e vida dão as mãos e espelho e reflexo dançam juntos.
Ficou curioso para saber o que, afinal, quer dizer Delenda? Então, leia as 3 perguntas feitas à Amanda Reznor e mate um pouco da sua curiosidade.
Outra Coisa: Delenda est Carthago, expressão latina do século II A.C. atribuída a Catão, o Antigo, é geralmente empregada como uma forma de simbolizar a busca incansável por aquilo que se deseja, pela concretização de um desejo / sonho. De que forma o significado dessa expressão está inserido no livro? O nome do livro também se prende a outros significados, como o semântico [destruição] ou o musical? (Nota: Delenda Arcana é o nome de uma banda de Black Metal nacional)
Amanda Reznor: O verbo Delenda [do latim delere, destruir], no meu livro, está mais associado ao contexto Delenda est Carthago [frase que, inclusive, é citada na história também], e ligada a Delenda est Anagké [melhor explicado no livro, Anagké é como os gregos chamavam o Destino], e, neste significado, posso afirmar que o Delenda — que também se tornou a designação de um objeto da história — está aplicado como um termo apocalíptico e relacionado a questões psicológicas machadianas — nos textos de Machado de Assis, ele sempre estava confrontando a eterna insatisfação humana [como em a Igreja do Diabo, conto em que as pessoas resolvem aderir a um “partido religioso” mais liberal, mas nem assim se dão por realizadas]. Assim, Delenda é um objeto relacionado a poder, vaidade, forças interiores e conhecimentos que certamente não deveriam cair em mãos humanas, correndo-se o risco de obter resultados catastróficos para a humanidade.
OC: Você já possui contos publicados em antologias e coletâneas de ficção e fantasia e agora se lança como escritora de romances longos. Mas, quem surgiu primeiro, a Amanda contista ou a escritora e de que forma se deu a transição, literariamente falando, entre uma e outra?
AM: Meus primeiros escritos, entre 7 e 8 anos, foram redações escolares em forma de fábulas, e eu descobri que gostei de criar o meu primeiro sapinho fictício. Não costumava escrever para os outros, e sim para mim. Principalmente com o divórcio dos meus pais, nessa mesma época, me tornei uma pessoa mais introspectiva do que eu já era [é, a Amanda Reznor expansiva que vocês conhecem foi processo de um longo aprendizado de bullying], e eu sempre tive preferência por escrever textos mais longos. Claro que eu não tinha base literária e técnica suficiente para criar um romance, mas aos nove anos escrevi o meu primeiro — Mirela, a Moska — que atingiu 40 páginas [infelizmente, perdi muitos textos quando me mudei com minha mãe para o Mato Grosso]. O fato de eu ter estudado em 14 escolas diferentes e morado em diversas cidades e em outro estado também me deu outras visões de mundo e de personalidades. Delenda é fruto de uma ideia que tive em 2003, mas por vários fatores só vim a escrevê-la em 2010, quando o título era Vale dos Segredos, e a reescrevê-la este ano, quando concatenei melhor as ideias embutidas e dei um início e final inexistentes no texto original. Só comecei a escrever contos em 2011, motivada pelos concursos literários, e essa experiência me deu uma base melhor para finalizar o Delenda — afinal, a estrutura de um conto é complicada e exige bastante habilidade para se escrever parágrafos mais concisos, com início, meio e fim bem delineados e um clímax bem pensado. Aconselho a todo autor iniciante [dos quais faço parte] a elaborar contos antes de concluir qualquer estória mais longa — e, sim, eu prefiro diferenciar estória e história.
OC: Você também canta, dança, desenha, pinta, encena, fotografa e compõe. Esse leque amplo de gostos artísticos também influencia / se reflete em sua literatura?
AM: Com certeza. O livro é um misto de fantasia e vivências / interesses pessoais. Acredito que a minha “elasticidade” artística também se reflete nas personagens e histórias que crio, primando por temas originais e variados. Como castigo, eu nunca tenho tempo ou disposição para me dedicar a todas essas atividades, e acabo não me aprofundando em nenhuma delas. Mas é uma questão de tempo — ainda quero cursar a área multimídia e voltar às aulas de pintura e teclado. Quem sabe, e assim permita Anagké, eu ainda consiga, futuramente, embasamento catedrático e patrocínio suficiente para transformar meus papeis escritos em cenas filmadas? Vocês serão meus aclamados espectadores!
O lançamento de Delenda, primeiro romance de Amanda Reznor, vai rolar nesse domingo, dia 12 de agosto, a partir das 16 horas, na Bienal do Livro de São Paulo, no Stand da Editora Delicatta [R78, Esquina com Rua J].




