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3 perguntas para Alfer Medeiros
Rober Pinheiro comment 0 Comments access_time 6 min read

Boas novidades surgindo para os fãs e apreciadores dos hirsutos e irascíveis lobisomens. Depois de passear por bibliotecas mágicas, entre livros vivos e estantes sem fim, o escritor Alfer Medeiros retorna ao tema que o apresentou à literatura: a licantropia!

Após o lançamento de Fúria Lupina – Brasil, livro que trouxe um leque bastante amplo de personagens e variações folclóricas que referenciam a lenda dos homens-lobos, o autor parte agora para uma nova etapa de sua história, envolvendo disputa de território, vingança e traição.

Em Fúria Lupina – América Central o sequestro de uma criança autista com grandes poderes mentais (uma autêntica peeira, conhecida como fada dos lobos) dá início a uma missão suicida, fio condutor da trama que leva um trio de agentes da Alcateia Global a abrir caminho com unhas e dentes por um território extremamente hostil dominado por lobisomens arredios e violentos, uma estirpe que renega o nobre comportamento dos lobos e expõe o pior da natureza dos homens.

Alheio a toda essa movimentação de guerra, um jovem investiga crimes de estupro supostamente cometidos por um licantropo conhecido como El Lobo, buscando, na jornada de morte da fera, um furo jornalístico que irá mudar sua vida. Ao mesmo tempo, surge uma nova geração de caçadores, mais numerosa e muito mais jovem, com recursos tecnológicos e bélicos capazes de deixar qualquer Rambo no chinelo.
Nesta nova aventura, Alfer convida o leitor a dar um passeio pelo submundo do crime, em meio à prostituição, drogas e violência, onde, há décadas, licantropos poderosos e perversos se alimentam impunemente da decadência humana.
Curtiu? Então, saiba mais sobre o livro Fúria Lupina – América Central lendo as 3 perguntas que fiz para o autor.

Outra Coisa: No livro de estreia, Fúria Lupina – Brasil, você apresenta um mix de origens para a mitologia do lobisomem, indo desde as peeiras portuguesas ao sétimo filho do sétimo filho do folclore nacional, além de uma inversão interessante acerca da clássica racionalidade / irracionalidade da personagem. Como foi trabalhar essa pluralidade de origens e em que isso contribuiu para diferenciar sua história?

Alfer Medeiros: A mitologia universal do lobisomem vai muito além da premissa lua cheia = fera irracional assassina, e na série Fúria Lupina eu procurei explorar todas as possibilidades desse ser fantástico. Assim, temos uma gama bem extensa de tradições licantrópicas e crendices populares espalhadas entre os diversos personagens dos livros. Também foi dada atenção especial a características marcantes dos lobos, como senso de grupo, hierarquia, características das diversas raças e comunicação não verbal entre os indivíduos. Sem deixar de lado, claro, o lado humano: perversidade, ambição, conflitos de interesses, traição. A finalidade básica da série é explorar, mais profundamente e com intensidade, o lado lobo e o lado humano do lobisomem.

OC: Sua primeira publicação ocorreu em uma editora por demanda. Qual foi o saldo dessa experiência? A edição por demanda é uma saída interessante para enfrentar a pouca abertura do mercado?

AM: Começar lançando um projeto literário independente foi desafiador, o tradicional “dar a cara a tapa”. Em meio a socos, pontapés e pauladas, aprendi muito e amadureci em muitos sentidos, desde a escrita até a forma de lidar com a divulgação, os leitores, os trolls e o mercado. Valeu muito a pena, mas só porque me cerquei de pessoas que me ajudaram muito nesse início, permitindo que o trabalho fosse concebido com um bom grau de qualidade. A todos que pretendem se aventurar nesse segmento, é preciso ter em mente que é dura a vida de um autor independente, pois tudo recai sobre o esforço individual deste (parcerias, vendas, distribuição, divulgação, custos). É preciso pensar muito bem se vale a pena e se é a hora certa de fazer isso. Para mim, o saldo foi positivo, mas há muitas pessoas que se arrependeram de suas iniciações literárias por conta própria.

OC: Além dos lobisomens, seu primeiro livro apresenta outras personagens do folclore nacional, entre Botos, Mboitatás, Caiporas e Sacis. O que os leitores poderão esperar de Fúria Lupina – América Central? Você chegou a trabalhar lendas e mitos dos países latinos ou ateve-se apenas à expansão de seu universo lupino?

AM: Em Fúria Lupina – Brasil, temos boa parte da trama acontecendo em regiões rurais, matas fechadas, locais isolados. Isso permitiu a interação dos míticos lobisomens com outros seres fantásticos, como os citados na pergunta, pois a história se desenvolvia em ambientes propensos a esse tipo de manifestação. Já em Fúria Lupina – América Central o cenário é bem diferente, há uma predominância maior de áreas urbanas, subúrbios assolados por miséria, crime e violência. O clima geral do livro novo é de guerrilha urbana, em meio à decadência e à corrupção das cidades, e acaba não sobrando muito espaço para o folclore. Os protagonistas invadem território hostil em busca de uma criança sequestrada e encontram muitos obstáculos pelo caminho, em meio à prostituição, tráfico de drogas e conflitos no submundo do crime. A tecnologia também está mais presente, em situações como posts de blog de um investigador no rastro de um licantropo estuprador, condução remota de missões por técnicos de comunicação e novos caçadores repletos de aparatos modernos. Outros elementos foram trazidos para a narrativa, e espero que os leitores apreciem as novidades.

O livro Fúria Lupina – América Central será lançado na Bienal do Livro de São Paulo, dia 11 de agosto, das 15 às 17 horas, no Stand da editora Delicatta (R78).

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