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3 perguntas para Amanda Reznor
Rober Pinheiro comment 0 Comments access_time 6 min read

Mais uma fantasia nacional chegando, dessa vez pelas mãos de uma moçoila bem conhecida dos habitués do fandom. Primeiro livro da prolífica Amanda Reznor, Delenda conta a história de Cláudia Blaise, uma garota quase comum que vive com a avó em um bairro nobre, sustentada por uma generosa pensão deixada por seu avô. Tudo seria perfeito em sua vida não fosse o fato de ela não conhecer a mãe, que sumiu após o parto, e o pai, que foi assassinado no mesmo dia em que ela nasceu.

No seu décimo oitavo aniversário, porém, Cláudia terá uma surpresa que irá alterar para sempre toda a sua vida, um presente tentador que pode ser, na verdade, uma cilada de encantos, mistério e morte.

Com a intrigante premissa “passarão a temer as sombras do dia”, Delenda pretende instigar o leitor a desvendar os mistérios do Vale dos Segredos, um lugar onde superstição e ceticismo se encontram, morte e vida dão as mãos e espelho e reflexo dançam juntos.

Ficou curioso para saber o que, afinal, quer dizer Delenda? Então, leia as 3 perguntas feitas à Amanda Reznor e mate um pouco da sua curiosidade.

Outra Coisa: Delenda est Carthago, expressão latina do século II A.C. atribuída a Catão, o Antigo, é geralmente empregada como uma forma de simbolizar a busca incansável por aquilo que se deseja, pela concretização de um desejo / sonho. De que forma o significado dessa expressão está inserido no livro? O nome do livro também se prende a outros significados, como o semântico [destruição] ou o musical? (Nota: Delenda Arcana é o nome de uma banda de Black Metal nacional)

Amanda Reznor: O verbo Delenda [do latim delere, destruir], no meu livro, está mais associado ao contexto Delenda est Carthago [frase que, inclusive, é citada na história também], e ligada a Delenda est Anagké [melhor explicado no livro, Anagké é como os gregos chamavam o Destino], e, neste significado, posso afirmar que o Delenda — que também se tornou a designação de um objeto da história — está aplicado como um termo apocalíptico e relacionado a questões psicológicas machadianas — nos textos de Machado de Assis, ele sempre estava confrontando a eterna insatisfação humana [como em a Igreja do Diabo, conto em que as pessoas resolvem aderir a um “partido religioso” mais liberal, mas nem assim se dão por realizadas]. Assim, Delenda é um objeto relacionado a poder, vaidade, forças interiores e conhecimentos que certamente não deveriam cair em mãos humanas, correndo-se o risco de obter resultados catastróficos para a humanidade.

OC: Você já possui contos publicados em antologias e coletâneas de ficção e fantasia e agora se lança como escritora de romances longos. Mas, quem surgiu primeiro, a Amanda contista ou a escritora e de que forma se deu a transição, literariamente falando, entre uma e outra?

AM: Meus primeiros escritos, entre 7 e 8 anos, foram redações escolares em forma de fábulas, e eu descobri que gostei de criar o meu primeiro sapinho fictício. Não costumava escrever para os outros, e sim para mim. Principalmente com o divórcio dos meus pais, nessa mesma época, me tornei uma pessoa mais introspectiva do que eu já era [é, a Amanda Reznor expansiva que vocês conhecem foi processo de um longo aprendizado de bullying], e eu sempre tive preferência por escrever textos mais longos. Claro que eu não tinha base literária e técnica suficiente para criar um romance, mas aos nove anos escrevi o meu primeiro — Mirela, a Moska — que atingiu 40 páginas [infelizmente, perdi muitos textos quando me mudei com minha mãe para o Mato Grosso]. O fato de eu ter estudado em 14 escolas diferentes e morado em diversas cidades e em outro estado também me deu outras visões de mundo e de personalidades. Delenda é fruto de uma ideia que tive em 2003, mas por vários fatores só vim a escrevê-la em 2010, quando o título era Vale dos Segredos, e a reescrevê-la este ano, quando concatenei melhor as ideias embutidas e dei um início e final inexistentes no texto original. Só comecei a escrever contos em 2011, motivada pelos concursos literários, e essa experiência me deu uma base melhor para finalizar o Delenda — afinal, a estrutura de um conto é complicada e exige bastante habilidade para se escrever parágrafos mais concisos, com início, meio e fim bem delineados e um clímax bem pensado. Aconselho a todo autor iniciante [dos quais faço parte] a elaborar contos antes de concluir qualquer estória mais longa — e, sim, eu prefiro diferenciar estória e história.

OC: Você também canta, dança, desenha, pinta, encena, fotografa e compõe. Esse leque amplo de gostos artísticos também influencia / se reflete em sua literatura?

AM: Com certeza. O livro é um misto de fantasia e vivências / interesses pessoais. Acredito que a minha “elasticidade” artística também se reflete nas personagens e histórias que crio, primando por temas originais e variados. Como castigo, eu nunca tenho tempo ou disposição para me dedicar a todas essas atividades, e acabo não me aprofundando em nenhuma delas. Mas é uma questão de tempo — ainda quero cursar a área multimídia e voltar às aulas de pintura e teclado. Quem sabe, e assim permita Anagké, eu ainda consiga, futuramente, embasamento catedrático e patrocínio suficiente para transformar meus papeis escritos em cenas filmadas? Vocês serão meus aclamados espectadores!

O lançamento de Delenda, primeiro romance de Amanda Reznor, vai rolar nesse domingo, dia 12 de agosto, a partir das 16 horas, na Bienal do Livro de São Paulo, no Stand da Editora Delicatta [R78, Esquina com Rua J].

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Amanda Reznor Delenda

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