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3 perguntas para Felipe Castilho
Rober Pinheiro comment 0 Comments access_time 6 min read

O MMORPG Battle of Asgorath, conhece? E capelobos, boitatás e mães d’água? Ah, esses você conhece de cor e salteado, certo?!

Enfim, se a resposta foi um triste meneio de cabeça para as duas perguntas anteriores ou se você não sabe patavina do primeiro e apenas ouviu falar dos segundos, não se desespere!, pois eis que surgiu uma excelente oportunidade para remediar esse erro.

Lançamento especialíssimo da Editora Gutenberg, o braço fantástico — e, neste caso, folclórico — do Grupo Autêntica, Ouro, Fogo & Megabytes traz tudo isso que citei logo ali em cima e muito mais, numa história que, segundo o que ouvi por aí, é melhor que fumo de cachimbo de saci [ia falar “melhor que Percy Jackson”, mas aí soaria clichê].

Na história, primeiro romance a sair da mente fértil de Felipe Castilho, somos apresentados a Anderson Coelho, um garoto de 12 anos que divide sua vida entre a pacata realidade escolar na cidade de Rastelinho e uma gloriosa rotina virtual repleta de aventuras em Battle of Asgorath [ta-dãn!], um jogo de RPG online em que jogadores do mundo todo vivem num universo medieval, cheio de fantasia. Lá, Anderson — ou Shadow, como é conhecido seu avatar — tem uma vida de estrela e seu sucesso nestas coisas de capa, espada e magia virtual é tanto que ele acaba se tornando o segundo melhor jogador do ranking mundial. E são justamente essas habilidades no jogo online que chamam a atenção de uma misteriosa organização que o escolhe para comandar uma missão surpreendente junto com um grupo de ecoativistas nada convencionais.

Trocando a pacata Rastelinho pela agitadíssima São Paulo, Anderson será jogado no meio de uma aventura muito mais fantástica que aquelas vividas na tela de seu computador. Encontros com hackers ambientalistas, ativistas com estranhos modos de agir e muitas criaturas folclóricas são apenas algumas das experiências pelas quais ele irá passar e cada uma delas irá lhe dar respostas não só sobre sua missão, mas também sobre sua própria vida, enquanto um novo mundo se descortina diante de seus olhos.

A premissa dessa história toda? É essa: “como esconder uma suspensão escolar dos pais, resgatar uma criatura mágica das garras de uma poderosa e mal-intencionada corporação e ainda por cima salvar o país de um desastre sem precedentes”? Pra descobrir as respostas, só lendo Ouro, Fogo & Megabytes. Mas antes, que tal conferir as 3 perguntas que fizemos para o Felipe Castilho e desvendar um pouco mais dessa folclórica aventura?

Outra Coisa: Você é um escritor que também trabalha em um grande grupo editorial. Esse dualismo escritor/profissional do meio literário ajuda ou atrapalha? De que forma isso contribui / prejudica sua literatura? A escrita foi uma decorrência natural dessa proximidade?

Felipe Castilho: Na verdade, desde cedo eu procurei trabalhar no ramo para me aproximar do que eu mais gosto de fazer na vida. Fui de caixa de livraria à gerente de vendas, e hoje trabalho no setor de divulgação/eventos do Grupo Autêntica. Aprendi como funciona a grande engrenagem do mercado, dando uma olhada bem de perto, de dentro dele. A escrita já havia se manifestado bem antes de eu ingressar na área, mas creio que o conhecimento prático fez com que eu já me direcionasse da maneira certa e não perdesse tempo andando em círculos. Quanto à minha literatura, creio que devo muito mais a tudo o que li até hoje do que ao meio em que trabalho.

OC: Anderson, a personagem central de Ouro, Fogo & Megabytes, apresenta uma caracterização bastante lacônica do jovem de hoje e traça um contraponto interessante entre o real e o virtual. Como você vê essa influência massiva da Internet e dos meios de comunicação na formação dessa nova leva de jovens leitores? A virtualidade trouxe benefícios para a literatura?

FC: Sim, trouxe! Eu tenho leitores que nunca haviam botado as mãos e os olhos em um livro antes, e que foram atraídos pelo “tema” games. Além do mais, uma boa história pode ser contada em diversas mídias. Talvez World of Warcraft não fosse tão legal se não fosse possível interagir e modificar o cenário a sua volta, e sua principal veiculação fosse em forma de romance. Alguns games estão sendo romanceados, inclusive, e obtendo sucesso estrondoso. Mas a internet é uma faca, que pode servir tanto para um homicídio quanto para passar manteiga no pão. Como talher, a net divulga a literatura quase à velocidade da luz, o ritmo que a juventude de hoje encara como mínimo aceitável.

OC: Ouro, Fogo & Megabytes apresenta [e mescla] dois mundos completamente distintos: o dos MMORPG [Massive Multiplayer Online Role-Playing Game, um jogo de interpretação com personagens online e em massa para múltiplos jogadores, geralmente com temática fantástica] e o do folclore brasileiro. Quais foram os maiores desafios ao transitar entre dois universos tão antagônicos? A partir dessa experiência, você consegue vislumbrar um movimento crescente de autores fantásticos que se preocupam cada vez mais em trabalhar a temática folclórica?

FC: Levar o protagonista de um mundo onde a fantasia entretém para um mundo onde a fantasia pode matar, de fato, pode ter dado certo trabalho. A nova roupagem dada ao folclore também consumiu muito de mim, e tive que ser meticuloso para que a parte ‘’mítica’’ do livro continuasse prendendo tanto a atenção quanto a parte ‘’geek’’. Mas talvez o maior desafio de Ouro, Fogo & Megabytes tenha sido colocar temas ambientais, políticos e éticos embutidos na trama de uma maneira que não atrapalhasse o leitor [e que não tentasse doutrina-lo], e, sim, que o fizesse questionar algo quando fechasse o livro após a última página. E o movimento dos autores que mexem com as lendas daqui está aumentando exponencialmente, ao meu ver. Christopher Kastensmidt, Walter Tierno, Gustavo Rosseb, você, Rober [hahaha (nota pessoal, abre aspas: JURO que o entrevistado NÃO foi ameaçado para fazer esta citação. Fecha aspas. Ah, e o “hahaha” também é coisa do entrevistado)], que já estavam por aí, e mais um punhado de gente nova no mercado, com ótimo potencial. Espero que chegue o dia em que escrever sobre folclore nacional seja considerado “normal”.

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Felipe Castilho Fogo & Megabytes Ouro

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