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Elysium
Bruno Accioly comment 0 Comments access_time 5 min read

“Elysium”, a nova obra do diretor e roteirista Neill Blomkamp, é um ótimo filme!

O autor do diferente e elogiado “Distrito 9”, uma alegoria de ficção científica do Apartheid, insiste novamente em uma Distopia, uma realidade opressora, anti-utópica e pessimista acerca de um futuro possível que se mistura com o que vivemos nos dias de hoje.

Blomkamp tem uma evidente sensibilidade para criticar o presente lançando mão de metáforas cuja premissa passa pela ficção científica e, desta vez, fala de um universo no qual um planeta Terra de recursos naturais ineficientemente utilizados, onde a população excede a infra-estrutura, onde impera a pobreza, onde se alastra todo tipo de doença e do qual os mais abastados fugiram faz tempo.

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A estação espacial orbital Elysium, um tórus dotado de gravidade artificial gerada a partir de sua rotação, atmosfera limpa, um micro-clima complexo e um sem número de sistemas automatizados que não só garantem o conforto dos cidadãos de Elysium, mas uma quase imortalidade através do uso de “esquifes” de alta tecnologia capazes de curar doenças, coibir o processo de envelhecimento e até mesmo empreender mudanças estéticas naqueles que têm o poder aquisitivo para tanto.

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Matt Damon, um ex-ladrão de carros preso nas memórias da infância, vive na Terra e tenta, como operário, angariar créditos suficientes para que um dia possa se mudar para Elysium, mas a realidade política e econômica imposta pelo regime reinante deixa pouca margem para a ascensão social ao cidadão do planeta mãe.

A injustiça e violência do poder executivo, perpetradas por máquinas cujas instruções são uma política de tolerância zero contra o crime e contra a sombra de qualquer suspeita.

Matt Damon está bem no papel e certamente é o herói vacilante e relutante de costume, mas na figura da coadjuvante Alice Braga, que vive uma profissional de saúde mãe de uma doente terminal, que o filme encontra um caminho para contar uma estória mais interessante e mais afinada com a visão soturna que Blomkamp costuma dar do ser humano.

Alice Braga

E se a redenção do personagem principal se dá a partir do reencontro com a figura do passado representada por Alice Braga, é no magnífico personagem de Wagner Moura que recai a responsabilidade de narrar o restante do filme, dividindo a tela de forma brilhante desde bem cedo no filme até o final, o que o torna um protagonista não anunciado de uma importante obra de ficção científica do cinema americano – muito embora Blomkamp seja sul-africano.

Wagner Moura cria, dentro dos limites do cinema de tiroteio e efeitos especiais, um personagem sensivelmente mais profundo e interessante que o de Damon e de Alice Braga, um rebelde, um subversivo, um “terrorista”, cujos objetivos são mais nobres do que o poder estabelecido gosta de acreditar que seja: garantir o acesso à tecnologia de Elysium a todos os cidadãos do planeta.

Matt Damon;Wagner Moura

“Elysium” não tem a severidade que os entusiastas da ficção científica esperam de um grande filme, o que o separa de obras mais graves como “Solaris”, por exemplo, por outro lado é sabido que obras como “Solaris” costumam render muito menos retorno aos investimentos em um filme deste porte, o que acaba fazendo com que fique hoje em dia renitente sensação de que trata-se de um filme curto onde pouco acontece embora haja sempre muita ação na tela.

É um sinal dos tempos talvez, ou sempre foi assim… mas, filosofias à parte, “Elysium” consegue preencher muito bem as expectativas de quem compreende o gênero de filme no qual se encaixa e, para os brasileiros, oferece a grata surpresa de dar tão significativo espaço para atores brasileiros cujo trabalho em “Eu sou a Lenda” e “Tropa de Elite” (1 e 2) o diretor fez questão de mencionar ao explicar sua escolha para os papéis.

Passado em 2154, “Elysium” mostra a realidade em que vivemos, onde uma fração do mundo acumula riquezas, conforto e tecnologia enquanto o resto do planeta serve como exército industrial de reserva e tem de se contentar com a própria condição, sendo premiada de tempos em tempos com migalhas e sombras do que seria a vida das elites.

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Como “Distrito 9”, “Elysium” tem esta qualidade “estrangeira”, que dá um charme adicional à ficção científica de Blomkamp o que, de certa forma, dá um tempero interessante ao filme, inclusive no que tange a originalidade da cenografia e realidade da narrativa. Essa característica vem dando aos filmes de Blomkamp a reputação de serem realistas, independente do teor fantástico do argumento, o que concorre para legitimar a seriedade da alegoria que o diretor desvela na tela.

Vale notar ainda a presença de Sharlto Copley, de “Distrito 9”, vivendo um mercenário; Jodie Foster, como secretária de segurança de Elysium; e Diego Luna, amigo do personagem de Matt Damon e que sequer leu o roteiro antes de aceitar o papel.

© Photo: Kimberley French for 2012 Columbia TriStar Marketing Group, Inc.  All rights reserved.

Dia 20 de setembro de 2013 nos cinemas!

http://www.youtube.com/watch?v=hThZkWfWiWk

Ficção Científica Neill Blomkamp

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