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Nymphomaniac
Bruno Accioly comment Comentários access_time 3 minutos

Sequência da Trilogia da Depressão, que inclui “Anticristo” (2009) e “Melancolia” (2011), “Nymph()maniac” é a estória de uma auto-diagnosticada ninfomaníaca que narra suas experiências eróticas para um homem que a salva após um espancamento, uma aventura lúbrica e doentia pela psiquê de uma mulher que, desde muito jovem, manifestava sua existência quase que unicamente através da sexualidade.

Mais que comum no mundo real, o filme trata da auto-objetificação do indivíduo, em particular da mulher. A proposta do diretor e roteirista Lars Von Trier, contudo, não é moralista, dispondo de forma quase que documental as viscicitudes e o inevitável prazer de uma fêmea lasciva cujo comportamento liberal, permissivo e promíscuo tenta se justificar supostamente através de seu livre arbítrio e desejo.

Alvo de si mesma, a personagem vivida por uma inusitadamente sensual Charlotte Gainsbourg (“O Piano”), narra a jornada sexual empreendida por ela desde mais jovem, na pele da atriz Stacy Martin, passeando por uma filosofia hedonista clássica que tem por objetivo a desmistificação do amor, descrevendo-o como não mais que a luxúria somada ao ciúme.

Equivoca ou não, a personagem se priva de todos os diferentes aspectos do amor em nome da noção de que parte do amor se afina com a hipocrisia e com a fraqueza humanas, vivendo um processo de auto-degradação e auto-flagelação emocional que, ao menos no divã de um analista acaba não se sustentando.

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O filme é importante, como o foram “Menina Má.com”, “Thirteen”, “Black Snake Moan” e “Beleza Americana”, mas Lars Von Trier costuma carregar na gravidade narrativa através de recursos poéticos interessantes, trilhas insuspeitas mas perturbadoras e uma direção que vitimiza a personagem de forma cruel, muito embora nem sempre a personagem se sinta uma vítima.

A promiscuidade é, muitas vezes, uma forma infrutífera de rebeldia, uma tentativa de violentar o outro através da flagelação de si mesmo, uma maneira de provar para si que seu em torno e que os demais não prestam e uma investida inútil de negação de si mesmo e de denúncia da crueldade e hipocrisia alheias.

Como os demais filmes da mesma Trilogia, “Nymph()maniac” aborda as diferentes manifestações da depressão e da perda.

Um filme difícil em muitos aspectos para as audiências mais conservadoras, “Nymph()maniac” não vai fazer muitas concessões e Shia LaBeouf (“Wall Street: Money Never Sleeps”) já confirmou que faz cenas de sexo não simuladas em trechos da obra.

Polêmico, instigante, genial e odiado por muitos, Lars Von Trier vem produzindo obras magníficas que vão ser comentadas e discutidas ad eternum por críticos profissionais e amadores, o que só significa que não devemos perder a estréia de “Nymph()maniac”, prometida para 25 de dezembro de 2013.

Vale dizer que algumas cenas do filme estão já disponíveis no bem cuidado site da obra:
http://www.nymphomaniacthemovie.com/

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