É com muita habilidade que Susan Saladoff revisita o caso da senhorinha que processou o McDonald’s por conta de seu café estar excessivamente quente em “Hot Coffee”.

O documentário de 2011 começa falando de um processo que parece trivial aos olhos do público e que remete diretamente a sensação de que há processos fúteis demais sendo instaurados por gente mal intencionada que só quer saber de pilhar empresas indefesas.

A verdade, contudo, como demonstra a diretora de “Hot Coffee”, é bastante diferente e contra-intuitiva. Mais que isso, tudo indica que a nossa percepção da questão foi encomendada por corporações que pagaram muito dinheiro para que campanhas aparentemente civis ou do governo alimentassem uma percepção equivocada da realidade.

Paulatinamente, “Hot Coffee” argumenta com fatos jurídicos e casos reais cada um dos pontos nevrálgicos que tornam tudo muito mais delicado do que se imaginava anteriormente e efetivamente faz diferença no processo de raciocínio de quem acredita que o Estado deveria proteger grandes empresas e a classe médica de um contingente nefasto da população que quer ganhar dinheiro às custas de processos bobos e descabidos.

Abordando temas como a Reforma de Danos, que estipula indenizações máximas a ser pagas por empresas à pessoas físicas; e a Arbitragem Obrigatória, tendência em contratos entre corporações e indivíduos, que obriga o cidadão a abdicar de seus direitos à um julgamento com juri nos EUA – como resultado, o consumidor tem de aceitar indenizações glosadas ou acordos confidenciais feitos por juízes privados contratados pelas próprias empresas que o prejudicaram.

Quem tem HBO ou HBOGo não deve deixar de assistir!

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