Na sempre competente e marcante voz de Clarice Falcão, o vídeo clipe de sua performance interpretando “Survivor” faz enorme sucesso na Internet bem no meio de uma batalha dialética desorientada e sem foco.

Publicado na fatídica sexta-feira dia 13 de Novembro, ao mesmo tempo em que ocorria mais uma chacina terrorista na França, o vídeo de Clarice Falcão já atingiu mais de um milhão de visualizações com sua mensagem cinestésica que fala contra a intolerância através da assertiva mensagem de que, a despeito de qualquer coisa, a mulher está bem-obrigada e não será obrigada a nada.

Os dois assuntos não teriam qualquer relação senão através da coincidência fortuita de ocorrerem no mesmo dia e, no entanto, é importante ressaltar que todo e qualquer flagelo que recaia sobre a Humanidade tem como protagonista e elemento em comum a própria Humanidade – para além de qualquer epifenômeno ou desculpa que resolvamos responsabilizar.

Assim como obras como “1984”, de Orwell, foram escritas com alvo específico (no caso o Comunismo) e acabaram se transformando em símbolo de uma questão maior (o Totalitarismo), o vídeo clipe de Clarice Falcão (nem tanto a música original de Destiny’s Child) acabam por simbolizar a escaramuça não entre homem e mulher, cristianismo e islamismo ou qualquer outra ideologia mais específica, mas o conflito que Eliane Brum denunciou recentemente em texto sobre Simone de Beauvoir e burrice:

“O confronto atual não é entre direita e esquerda, mas entre os que pensam e os que não pensam.”

survivor-clarice-falcao-elenco