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Festival do Rio 2008
Lucas Sigaud comment Comentários access_time 6 minutos

Está se aproximando as duas semanas de maratona cinematográfica para todos os cinéfilos do Rio de Janeiro: entre os dias 25 de setembro e 9 de outubro, estará rolando o Festival do Rio 2008, que trará em sua décima edição 350 filmes (espalhados em 30 salas ao redor da cidade) para os espectadores fiéis que sempre comparecem e fazem deste o festival de cinema mais bem sucedido da América Latina. Só ano passado foram vendidos mais de 250.000 ingressos! Como sempre, selecionar os filmes a serem assistidos é um árduo e incerto trabalho (que os cinéfilos adoram!), pois é difícil acertar em todas as escolhas, tamanhas são as opções; mas certas apostas são garantidas.

Nesta edição será dado um valor especial a estréias de filmes brasileiros, com uma mostra – a Première Brasil – dedicada especialmente para este fim. Tanto que o filme que abre o festival (honra concedida ano passado a “Tropa de Elite”) será “Última Parada: 174”, novo e excelente longa de Bruno Barreto. Além dele, há outros destaques, como “A Erva do Rato”, de Júlio Bressane (baseado em dois contos de Machado de Assis), e “A Festa da Menina Morta”, estréia do ator Matheus Nachtergaele na direção. Fora que é a única seção competitiva do Festival, com os filmes da Première Brasil sendo divididos em 3 programas competitivos: longas de ficção, longas documentários e curtas, julgados tanto por uma banca internacional de avaliadores quanto pelo público.

Mas, como sempre, há filmes para todos os gostos no festival deste ano, subdivididos nas mostras Panorama (que traz sempre os filmes mais badalados do cenário atual), Expectativa (que traz as apostas e as descobertas, acolhendo cineastas estreantes ou ainda desconhecidos no Brasil), Midnight (com os filmes mais alternativos), Gay (voltada para o público GLS), Fronteiras (privilegiando as grandes questões do cenário político, social e econômico da atualidade) e Dox (focado em documentários).

O destaque dentre elas este ano está nos filmes voltados para celebridades musicais, já tradição do festival – em edições passadas, filmes (documentários ou não) sobre Ramones, The Clash, Joy Division, Rolling Stones tiveram lotação esgotada, e em 2007 dois filmes deste tipo ficaram entre os sete mais vistos do festival (“Piaf – Um Hino de Amor”, sobre a clássica Edith Piaf, e “I’m Not There”, elogiadíssimo filme cult sobre o mítico Bob Dylan). Este ano teremos filmes sobre Patti Smith, U2 (o celebrado show em 3D), Phillip Glass, Titãs, Joe Strummer, Jards Macalé, CSNY (Crosby, Stills, Nash & Young), entre outros. O mais bizarro deles é a estréia de Madonna na direção – com “Sujos e Sábios”, meio ficção, meio documentário, que narra a história de Eugene Hutz (no filme como ‘A.K.’), líder do Gogol Bordello (banda que estará aqui no Tim Festival).

Falando nisso, o Festival do Rio deste ano tem como destaques filmes – imperdíveis – de diretores cultuados. O mais esperado certamente é “Youth Without Youth”, novo longa de Francis Ford Coppola, que nos últimos dez anos estava no ostracismo. Baseado em um romance de Mircea Eliade e estrelado por Tim Roth, é o maior destaque da mostra Panorama. Nas palavras de Ilda Santiago, diretora executiva do festival, “Os filmes de autores do cinema precisam ser vistos. O filme de Coppola, por exemplo, é ousado. É bom mostrar que diretores estabelecidos arriscam”. Na esteira desta estréia, será exibido também “O Poderoso Chefão”, maior marco da carreira de Coppola e um dos maiores filmes da história do cinema.

Outros filmes de diretores conceituados aguardados para o festival são “Vicky Cristina Barcelona”, de Woody Allen (com o controverso menage de Javier Bardem, Penélope Cruz e Scarlett Johansson), “Les amours d’Astrée et de Céladon”, de ninguém menos que Eric Rohmer (com mais de oitenta anos!), e “Queime Depois de Ler”, dos irmãos Coen (que faturaram o Oscar este ano com “Onde Os Fracos Não Tem Vez”, e que reúne elenco estelar com George Clooney, John Malkovich e Brad Pitt). Fora “Synecdoche, New York”, de Charlie Kaufman (roteirista do merecidamente cultuado “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças”), “Standard Operating Procedure”, documentário de Errol Morris que venceu o mais recente Urso de Prata da categoria, e “Katyn”, drama de guerra do mestre polonês Andrzej Wajda que foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro deste ano.

Para completar, há ainda a Retrospectiva Derek Jarman (que talvez conte com a presença de Tilda Swinton, vencedora do Oscar de melhor atriz coadjuvante e musa do vanguardista diretor, vítima da AIDS em 1994), a Première Latina (que incluirá “Leonera”, com Rodrigo Santoro, e “Los Bastardos”, homenagem a Arturo Ripstein), o Tributo aos Irmãos Taviani (mestres do cinema italiano, os quais também podem estar presentes), o Tributo ao Centenário da Imigração Japonesa (com filmes como a aguardada animação “Ponyo On The Cliff”, de Hayao Miyazaki, famoso mundialmente por “A Viagem de Chihiro”) e o Foco UK, mostra que sempre foca em filmes – balanceando grandes produções e alternativos independentes – de algum país específico (ano passado foi a China), que incluirá, entre outros, “A Duquesa”, novo filme com a bela e talentosa Keira Knightley.

Agora é tirar férias durante duas semanas e comprar os ingressos (que já estão à vendo em www.ingresso.com.br). Convém prestar atenção se o filme inclui legendas habituais (caso dos filmes que estrearão por aqui em um futuro breve), legendas eletrônicas (filmes que possivelmente passarão no circuito nacional, especialmente se for bem aceito no festival) ou sem legendas (filmes que provavelmente serão exibido apenas no festival – caso da maioria dos filmes das mostras Midnight, Gay, Fronteiras e Dox). Geralmente, esses últimos terão no festival sua oportunidade única de serem vistos por aqui, a não ser em um DVD raro no futuro. Façam suas listas e suas apostas e divirtam-se!

Curiosidade: como sempre, há também as excentricidades do festival. Exemplos fáceis são “O Roqueiro” (na mostra Foco UK), novo longa de Peter Cattaneo, que anda sumido depois do grande sucesso de “Ou Tudo Ou Nada”, de 1997; “Surveillance” (na mostra Midnight Movies), de Jennifer Chambers Lynch (filha de David Lynch, diretor cult cujo filme “Império dos Sonhos” foi um dos mais controversos do festival do ano passado), onde, segundo consta, ‘litros de sangue escorrem pela tela’; e “O Dia-a-Dia do Pornô”, que dispensa comentários.

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