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Parenthood - O "Brothers & Sisters" da NBC
Priscila Queiroz comment Comentários access_time 4 minutos

Não havia como eu não assistir Parenthood, nova série da NBC. É a volta de Lauren Graham, uma das minhas atrizes preferidas, à televisão, depois do final de Gilmore Girls. E de cara já sei que vou seguir a série até ela acabar ou ser cancelada (a segunda opção parece bem próxima). Mas o fato de Lauren estar no elenco não me fez cair de amores pela história, como eu achei que fosse acontecer.

Parenthood é uma adaptação do filme de mesmo nome estrelado por Steve Martin e Diane Wiest em 1989. A série tem produção de Jason Katims, de Friday Night Lights, e Ron Howard & Brian Grazer, diretor e produtor do filme original. Nela conhecemos a família Braverman, que tem no irmão mais velho, Adam (Peter Krause) seu fio condutor. É ele quem aconselha sua irmã Sarah (Lauren Graham) a voltar para a casa dos pais quando o dinheiro acaba, e ela se vê tendo que sustentar dois filhos adolescentes sozinha – seu ex-marido, um músico, está sempre em turnê e não liga muito para os dois. Adam também é o ouvinte preferido do irmão mais novo, Crosby (Dax Shepard) um adulto com cabeça de adolescente com problemas para assumir compromissos. Sua outra irmã, Julia, também preocupa a todos com a dificuldade em balancear trabalho e atenção para a filha pequena. E seus pais, Zeek (Craig T. Nelson) e Camille (Bonnie Bedelia), podem esconder alguns segredos por trás da fachada de casal feliz. Todas essas preocupações acabam indo para segundo plano, no entanto, quanto Adam descobre que seu filho mais novo tem Síndrome de Asperger.

Entre um casal de pais, quatro filhos e seus respectivos maridos/esposas e filhos, Parenthood tem muitas histórias para contar. Isso fica bem evidente porque a edição não consegue apresentar os conflitos num ritmo em que dê tempo para nos importarmos com todos. Já cortei da minha lista de interesses, por exemplo, a história de Crosby. Além dele ser um adulto adolescente sem carisma, mal nós nos conhecemos, já o vi com medo de assumir um compromisso mas planejando ter um filho com a namorada, só para descobrir que ele já tem um filho, resultado de um encontro anos atrás. É muita coisa para assimilar, e isso foi só no piloto.

O primeiro episódio, aliás, deixou a desejar. Provavelmente por causa dos problemas de produção (Maura Tierney seria Sarah, mas teve que abandonar a série para tratar seu câncer), os atores estavam pouco à vontade e o texto não colaborou. Foi perceptível a mudança na personagem de Sarah, que Maura havia interpretado com um viés mais dramático, diferente do tom mais cômico de Lauren. O segundo episódio melhorou em relação ao primeiro neste quesito, provavelmente porque os escritores passaram a pensar em Sarah como Lauren. Eles ainda não solucionaram o problema de ritmo das várias histórias, mas os personagens se desenvolveram mais e já dá para sentir alguns laços se formando.

Resta saber se os escritores e produtores terão tempo para desenvolver Parenthood o suficiente. A audiência da série anda mal das pernas, e levando em conta o fato da NBC estar desesperada depois das últimas trabalhadas que fez, não se sabe se os executivos terão a paciência necessária para esperar a série vingar. Eu continuarei assistindo, porque no meu contrato de fã de Lauren Graham diz que preciso assistir tudo o que ela faz, e nesse caso, ela é um dos pontos altos da série ao lado de Peter Krause. Além disso, Parenthood teve momentos muito engraçados no segundo episódio que me fizeram ter esperança que, uma vez que os escritores encontrem o tom, ela será muito boa. Mas vamos ver o que a NBC vai dizer depois que a audiência desta semana for divulgada.

Parenthood chega aqui no Brasil pelo Liv, novo canal do grupo Discovery que substitui o People & Arts. Apesar do canal entrar no ar em 12 de abril, ainda não há uma data de estréia definida para a série.

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