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Tropa de Elite 2
Rober Pinheiro comment Comentários access_time 4 minutos

“E, do céu, o cinema nacional mergulhará direto no inferno”.

Esta pode até não ser a metáfora mais apropriada, mas depois do sucesso “celestial” do filme “Nosso Lar”, agora é a vez de outro produto nacional, bem mais mundano e violento, chegar às telas do cinema.

“Tropa de Elite 2”, longa do diretor José Padilha, estreiou nesta sexta-feira, dia 08 de outubro, em mais de 600 salas em todo o Brasil. E, antes mesmo da estreia, ele já figura no hall da fama como o maior lançamento de um filme nacional desde a sua retomada, em 1995. Um número digno dos maiores blockbusters hollywoodianos.

A sequência, cujo orçamento beirou a casa dos R$ 12,5 milhões, traz toda a violência, pancadaria, tapas na cara e torturas em traficantes já vistas no primeiro “Tropa de Elite”, de 2007. Porém, a nova coqueluche nacional em matéria de herói, o Capitão Nascimento — feito sob medida pelo ator Wagner Moura —, desta vez troca a bazuca e os tiroteios nas favelas cariocas pela gravata e a burocracia dos gabinetes do governo. Depois de passar o cargo, ele sai do Bope e se torna funcionário público, mais precisamente subsecretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro.

Num campo em que as palavras têm muito mais peso do que as armas — mas que podem matar tanto quanto, ou mais —, Nascimento até chega a ensaiar uma vitória na guerra contra as drogas, mas milícias formadas por policiais corruptos mostram que “o sistema” está sempre pronto para transformar a miséria em dinheiro.

A continuação, bem mais violenta e complexa, eleva o velho capitão do Bope a um novo patamar, tornando-o mais tridimensional em relação ao “herói” visto no primeiro filme, além de evidenciar um amadurecimento do próprio cinema nacional.

E falando em novo patamar, um verdadeiro esquema de guerra foi montado para que o filme, a exemplo de seu antecessor, não chegasse às bancas de camelôs antes de estrear nos cinemas. Sucesso nacional antes mesmo de estar finalizado, o primeiro “Tropa de Elite” conseguiu a façanha de vender mais de 11 milhões de cópias piratas antes que o primeiro projetor fosse ligado.

Para o segundo filme, o diretor José Padilha e o produtor/distribuidor Marco Aurélio Marcondes montaram um verdadeiro esquema de guerra, contando, inclusive, com membros do próprio Bope contratados para a ocasião, para evitar que fossem feitas cópias piratas da continuação. Camelôs de São Paulo e do Rio até chegaram a anunciar algumas cópias, mas foram logo desmentidos. A aventura, ao que parece, continua guardada a sete chaves!

A produção, bem ao estilo guerrilha, contou com uma série de artifícios para evitar o vazamento. Um deles foi o aluguel de um apartamento residencial no bairro do Leblon e a montagem de uma ilha de edição. Detalhe: apenas cerca de 10 pessoas sabiam ou tinham acesso ao lugar, o que não incluía o porteiro ou o dono do imóvel.

O tratamento das imagens e do som também foi feito separadamente e no momento da mixagem, para evitar possíveis falhas, foram instaladas câmeras 24 horas para filmar qualquer sombra que entrasse na sala.

Além de todo esse cuidado na montagem, cada fita do longa vem com uma marca d’água invisível que permite rastrear o cinema de onde a cópia, caso aconteça, foi pirateada.

“Tropa de Elite 2” tem roteiro do próprio Padilha e de Bráulio Mantovani e traz no elenco, além de Wagner Moura, os atores André Ramiro, Irandhir Santos, Pedro Van-Held, Maria Ribeiro, André Mattos e Seu Jorge.

O filme, cuja pré-estreia aconteceu na cidade de Paulínia, para atores, convidados e a imprensa, chegou aos cinemas de todo o Brasil espalhado em mais de 630 salas. E, depois disso, só Deus sabe quanto tempo demorará até ser encontrado na barraquinha pirata mais próxima.

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