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Capitão América: O Primeiro Vingador - Crítica
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Para quem já viu outros filmes do Capitão América, como eu, tanto para o cinema quanto para a TV, ao ouvir pela primeira vez que este seria produzido deu um frio na espinha. Jamais havia sido feito um filme que fizesse justiça a um dos personagens mais nobres do Universo Marvel.

Criado por Joe Simon e Jack Kirby e visto pela primeira vez na revista “Capitain America Comics” número 1, lançada em 1941, o personagem foi uma forma de propaganda pró-americana e, ao mesmo tempo, o símbolo do que deveria ser o Herói Americano, a figura inatingível, de moral inabalável, ética inalcançável e coragem extraordinária.

Tendo aparecido em plena Segunda Guerra Mundial, o Capitão América incorporava os elementos que jamais estiveram presentes no Homem Comum, no Soldado Americano e que são bastante similares aos de outro personagem – desta vez da Detective Comics – o Homem de Aço.

Nas telas, para minha felicidade, foi exatamente isso o que vi. Em uma produção extremamente bem cuidada e de muito bom gosto Joe Johnston (“Jumanji” e “October Sky”) começa nos dias de hoje onde uma aeronave é encontrada no gelo Ártico e nos faz viajar no tempo até 1941.

A reconstituição de época, figurino, cenografia e atuações transportaram para as telas a época no já conhecido formato romântico e inocente do início da Guerra usado por tantos filmes e fez de Steve Rogers o mesmo apaixonado idealista e bem-intencionado protótipo de mártir de forma rebuscada e generosa, que foram mostrados nos quadrinhos originais.

De franzino e frágil, o Steve Rogers do filme honra o argumento original com uma estória ao mesmo tempo fiel e que empresta mais tempero ao personagem que, após passar pelo programa Super Soldado, tem seu exterior transformado em tudo aquilo que seu interior já se mostrava ser.

E, surpreendendo o espectador, o herói recém-nascido é manietado pela política e burocracia, sendo usado de forma panfletária em palcos de coristas, um mero símbolo caricato do papel da América na guerra.

O filme não cai na bobagem de tentar segurar o clima anedótico, se concentrando na incontestável insatisfação do devir de herói com sua condição circense e, quando é enviado para a Europa em “missão” de entreter os soldados o personagem não foge diante da sensação de que é seu dever fazer alguma coisa com os poderes que lhe foram conferidos.

Não é mais surpresa que um filme seja “bem produzido”, hoje em dia, mas é bastante surpreendente que um bom roteiro sobreviva em Hollywood e se mantenha íntegro do início ao fim da obra de forma consistente, sobretudo para se tornar uma adaptação tão leal ao formato original quanto capaz de elevar o nível da linguagem dos quadrinhos a um enredo moderno e cheio de credibilidade.

A descrença está lá, na forma do Colonel Chester Phillips, vivido por Tommy Lee Jones; a crença está lá, manifesta no Dr. Abraham Erskine, interpretado por Stanley Tucci; a lealdade está lá, no amigo James Buchanan ‘Bucky’ Barnes, pela atuação de Sebastian Stan; a genialidade está lá, representada por Howard Stark (o pai de Tony Stark, o Homem de Ferro), Dominic Cooper; o amor é retratado pela personagem Peggy Carter, interpretada pela linda Hayley Atwell; e o vilão Johann Schmidt, o Crânio Vermelho e líder da Hydra, é brilhantemente encarnado por Hugo Weaving, complementado pelo assecla Dr. Arnim Zola (Toby Jones).

Chris Evans não faz feio, mostrando-se capaz de muito mais do que fez quando interpretou o Tocha-Humana nos “Quatro Fantásticos” e tem uma atuação consistente e respeitável ao envergar o magnífico trage reinventado para o personagem.

O filme tem um ritmo ótimo, não se entregando às armadilhas de se tornar maçante, com valores moralmente elevados desfilando pela tela ou excessivas cenas de ação, sendo até comedido demais em alguns momentos mas demonstrando o potencial do personagem que, afinal, tem sua origem exibida neste filme para, mais tarde, atuar como peça principal no filme “Os Vingadores” (trailer aqui), que deverá estar pronto em 2012 e que vai reunir o elenco de boa parte dos filmes da Marvel que temos visto, como “Thor” e “Homem de Ferro”.

O mais retrofuturista dos diretores, Joe Johnston visita pela terceira vez o gênero DieselPunk com esta produção, entregando uma obra que remete em qualidade e na sensação estética o injustamente subestimado “O Jovem Indiana Jones” e o magnífico “The Rocketeer” – ambos dirigidos por ele – e que acabaram sendo ótimo laboratório para que este filme tivesse a dose certa de humor, tecnologia e magia que, de muitas formas, lembra o cultuado “Indiana Jones e a Última Cruzada”.

Heróis como o Capitão América não provém da exímia destreza com armas ou da força descomunal, mas da hombridade do indivíduo cuja integridade inspira os demais a serem pessoas melhores.

O Capitão não é o símbolo da América, mas o símbolo do que todos poderíamos nos tornar moralmente, caso não nos deixássemos levar por nossa natureza cínica, mesquinha e egoísta.

Os anti-americanos de plantão devem se lembrar que, no fim, o Capitão América acaba sendo mais uma crítica do que uma exaltação ao que seria a América. O personagem de forma alguma representa o americano médio ou da nação Americana e é a epítome de tudo que é bom, justo e verdadeiro – mesmo não vindo de Krypton.

Ironicamente, inclusive, para que chegasse até aqui, com todos as falhas crônicas de caráter que o Século XXI descortinou, a “história” teve de congelar o melhor de nós para que fosse possível que este ser humano formidável pudesse coexistir conosco nos dias de hoje…
…e, como não podia deixar de ser, ele é um personagem ficcional.

Dia 29 de Julho de 2011 pela Marvel e pela Paramount nos cinemas!

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