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O CyberPunk e suas Musas
Lidia Zuin & Mein Weise comment Comentários access_time 9 minutos

As mulheres no cyberpunk são sempre admiradas por suas características peculiares. Os arquétipos por trás da construção são bem simples, formando um dualismo em que encontramos, de um lado, a “donzela” que transborda sensibilidade e, por outro, a “guerreira” irreverente.

OutraCoisa: Pesquisa…

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Isso se deve ao fato de que, no início do século XX, o Ocidente passou a considerar firmemente os conceitos por trás do Feminismo, Pós-colonialismo e Pós-estruturalismo que culminaram em um repensar das ideologias tradicionais. O resultado acabou sendo um pensamento dicotômico: razão e emoção; ativo e passivo; público e privado; masculino e feminino. Essa idéia é, inclusive, ponto forte quando falamos de personagens no Cyberpunk, especialmente quando estes são femininos.

Isso não quer dizer que uma mulher no gênero Cyberpunk tenha que ser “donzela” ou “guerreira”. Ao contrário! A maioria delas mistura os dois estereótipos, criando personagens densas e intensas: uma reinvenção das famosas femme fatales da literatura noir.

Quem não se lembra de Rachael, de Blade Runner (1982), a replicante emotiva que foi até mesmo capaz de se apaixonar? Ou ainda nesse filme, a replicante Pris que mistura a delicadeza de uma boneca com a violência de uma rebelde? Mais: Trinity, da triologia Matrix (1999 e 2003), mostra a sensualidade de uma guerreira tão letal quanto Motoko Kusanagi, de Ghost in the Shell (1989).

Ainda que marcadas pela dicotomia, tais personagens carregam um aprofundamento suficiente para não as fazer planas, assim arrematando obras de grande relevância na ficção científica Cyberpunk. Separamos alguns exemplos no cinema, literatura, animes, games e música para dar um gostinho do que seriam as tais “musas Cyberpunk”:

Cinema

Sarah Connor

Terminator: The Sarah Connor Chronicles

Sarah Connor, personagem da série de filmes Terminator (1989-2009) e da série de TV Terminator: The Sarah Connor Chronicles (2008), é um importante pilar na guerra entre a Skynet e os humanos da Resistência.

A história começa quando Sarah é salva por um soldado, Kyle Reese, enquanto era perseguida por T-101, um ciborgue que veio do futuro com a missão de matar a mãe de John Connor, o líder da Resistência. O contato com as revelações sobre seu destino cria um grande impacto na personagem, que se modifica radicalmente do primeiro ao segundo filme.

Se em Terminator Sarah faz mais o gênero “donzela em perigo”, é após a morte de Kyle Reese (contexto no qual todos os outros filmes e série acontecem) que ela assume o papel de uma lutadora destemida, independente e caracteristicamente matriarcal. Em Terminator 2: Judgement Day (1991), é ela quem ensina tudo o que John Connor, seu filho e futuro líder da Resistência, sabe sobre os ciborgues, a Skynet, técnicas de luta e sobre sobrevivência.

A partir do segundo filme, Sarah é uma mulher musculosa, agressiva e enlouquecida por não ser capaz de mudar o futuro ainda no passado. Seu papel de “soldado da resistência” é assumido quando surge uma chance de destruir as pesquisas que auxiliariam a Skynet a construir os ciborgues. Com ajuda de T-800 Terminator, um ciborgue modificado e enviado por John Connor do futuro, Sarah sobrevive à uma nova perseguição, mas em Terminator 3: Rise of the Machines (2003) é anunciada sua morte por leucemia.

A série de televisão, entretanto, reinterpreta os acontecimentos tomando contexto em 1999 – no original, Sarah morreu em 1997. A personagem está viva e se torna protagonista de uma série que explora principalmente o relacionamento mãe e filho entre Sarah e John. Ajudados pela ciborgue Cameron, eles fogem de uma outra máquina, o ciborgue Cromartie. Aqui Sarah reassume sua característica matriarcal, dispendendo todos os esforços necessários para salvar seu filho – mesmo que isso signifique pôr sua vida em risco.

Sarah Connor é sem dúvida uma personagem que explora os limiares do feminismo: uma mulher independente, capaz de se virar sozinha nas tarefas simples às mais complicadas, é líder inspiradora e, basicamente, uma super mãe.

Literatura

Molly Million

Neuromancer

William Gibson acertou em cheio ao criar essa femme fatale em Neuromancer (1984). Também conhecida como Sally Shears, a “samurai de asfalto” é uma ciborgue que cobriu seus olhos com placas metálicas que aprimoram sua visão, como por exemplo no escuro, além de marcar as horas. Sem mais ter pálpebras para piscar ou lágrimas para derramar, a runner (mercenária) tem uma personalidade forte e sabe o que faz, especialmente quando se torna dupla de um ex-hacker junkie chamado Case, protagonista do romance.

Com garras de metal implantadas abaixo das unhas, ela ainda reaparece em Mona Lisa Overdrive (1988), último romance da trilogia Mirrorshades. Trocando os esmaltes vermelhos por cor de rosa, a personagem ainda é uma presença marcante e estímulo para a criação de femme fatales cyberpunk, como Trinity, da trilogia Matrix.

Anime

Re-l Mayer

Ergo Proxy

Com visual inspirado na vocalista do Evanescence, Amy Lee, Re-L Mayer é a protagonista do anime Ergo Proxy (2006). Trata-se de uma oficial de polícia que mora num domo acima da Terra, já que o planeta foi destruído. Filha do prefeito, ela é responsável por cuidar dos robôs (AutoReivs) infectados com o vírus Cogito, em que eles passam a ter vontade própria. Nesse meio tempo, ela é abordada por uma criatura chamada Proxy que invade seu banheiro e lhe deixa uma série de pistas que a levam ao baixo cidadão Vincent Law.

Com leves toques de patricinha, a personagem é agressiva e obstinada. Treinada para tal, carrega armas debaixo da roupa estilizada e não se desfaz nunca da vaidade demonstrada na maquiagem e nos cabelos. Mais tarde, com a adesão de uma nova personagem, a AutoReiv criança Pino, Re-L irá mostrar uma nova face menos rude e mais feminina, porém nunca perdendo o fierce próprio das musas cyberpunk.

Assista ao trailer clicando aqui

Game

Chell

Portal

Chell foi uma incógnita durante Portal inteiro. A gente só ficou sabendo o nome dela depois, com o lançamento de Portal 2. A idéia dos programadores era que a inteligência artificial do jogo, GLaDOS reconhecesse o jogador e não a personagem em si.

Lançado pela Valve, o game em primeira pessoa é um puzzle arcade no qual é preciso conviver com uma A.I. gradualmente surtada. Como brincadeira, ela põe Chell em uma série de armadilhas às quais ela deve sobreviver somente com o uso de uma Portal gun, que dispara dois tipos de portais: um de entrada e outro de saída. Assim, a personagem tem que driblar altas quedas, líquido corrosivo, a gravidade ou robozinhos com metrancas. De vez em quando a GLaDOS é simpática e libera um Companion cub que, com coraçõezinhos estampados, servirá de ajuda em várias ocasiões. Aliás, ironicamente, Portal inteiro reforça o mistério da recompensa: se Chell driblar todos os obstáculos, ela irá ganhar um bolo. Se ela ganha ou não, fica a surpresa! O fato é que há um motto já bastante conhecido: The cake is a lie. Resta a você tirar isso a limpo. 🙂

Mas é em Portal 2 que realmente conhecemos a protagonista e musa cyberpunk. Lá é explicada a origem da Aperture Science, indústria em que Chell está presa, e como a GLaDOS foi feita. Com novas ferramentas, os puzzles se tornam um pouco mais óbvios, mas também bem mais assertivos. Além disso, foi acrescentada a opção multiplayer, em que dois droids irão fazer o trabalho de criar portais.

Agora fazendo spoiler, Chell é provavelmente filha dos criadores da GLaDOS, Cave Johnson e Caroline, sua secretária e, pelo jeito, um affair. Além de parir Chell, Caroline foi incorporada à personalidade de GLaDOS que, em determinado momento, mostrou-se muito mais violenta do que o esperado. A verdade é que Cave era um visionário dos anos 1970, que acreditava no poder das inteligências artificiais, mas sua monstrinha acabou perdendo a noção.

Assista ao trailer clicando aqui

Música

PsyBorg Corp

Inlfuenciada pelo cyberpunk, games e ficção científica em geral, a banda colombiana de dark-electro, vertente da música industrial, reúne não apenas uma, mas duas musas cyberpunk: a baixista Miss Pixel e a tecladista Gia.

O quarteto, completado por uma dupla de homens, possui músicas com títulos que fazem remitência à temática ciborgue, como Nanotech and the Grey Goo Replicators, My Mechatronics e Bionic Enhancement.

Em entrevista para o portal Cyber-Angels, PsyBorg Corp explica entender o cyberpunk como
“uma forma de ver o futuro baseado nos acontecimentos atuais”, um futuro hipotético em que poderia haver tanto “revolucinários geeks com alta tecnologia, escondidos em um porão, ou um poderoso ditador totalitarista”. Entre Sterling/Gibson e Orwell, o grupo busca explorar os vários ângulos do gênero: “Gostamos de pensar num universo paralelo do ‘E se…’ e escrever sobre isso, tentando nos focar nos propósitos musicais e visuais”.

Com apenas um álbum, The Mecanical Renaissance, lançado em 2010, a banda participou de compilações como Dark People II e Dark Mourning Promotions: Fusion. O PsyBorg Corp ainda não possui videoclipes oficiais, mas mantém no YouTube um canal com várias músicas, inclusive um remix de Bad Romance, da Lady Gaga.

Assista a este vídeo clicando aqui
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