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The Cured
   "Os Curados", de David Freyne e com Ellen Page, aborda temas complexos através do Horror
Bruno Accioly comment Comentários access_time 3 minutos

Escrito e dirigido por David Freyne, “The Cured” foi lançado em 2017, marcando sua estréia em longa metragens, o que se provou um ganho para o subgênero, sobretudo os exemplares mais substanciais, que tocam o tema dos mortos-vivos e dos desdobramentos decorrentes da ocasião de zumbis se tornarem uma realidade.

Originalidade num sub-gênero repetitivo

Sam Kelley, como Senan, escolhendo entre família e instinto
Sam Kelley, como Senan, escolhendo entre família e instinto

O enredo parte do princípio que o fenômeno de infecção teria, por anos, se alastrado pela Europa através de um vírus – o vírus Maze – e que, apesar de relativamente controlado pelo resto do continente, a Irlanda teria sido severamente devastada.

Em meio ao caos reinante uma cura foi descoberta e esta teria eficiência em cerca de 75% dos casos de infecção, deixando contudo os Curados com memória de tudo que haviam feito enquanto sob o efeito da doença.

O filme se desenrola dando foco a realidade de que, naquela conjuntura, grande contingente dos sobreviventes não infectados têm profunda dificuldade de aceitar o fato de que os Curados não tinham controle sobre seus atos ou, ainda que o aceitem, não conseguem perdoá-los pelas mortes de seus entes queridos.

Ellen Page em performance impecável

Ellen Page, como Abbie, escolhendo entre consciência e medo
Ellen Page, como Abbie, escolhendo entre consciência e medo

Com Ellen Page (“Inception“) – candidata ao Oscar por “Juno” – vivendo uma mãe de família que perdeu o marido – e Sam Kelley (“The Anthropoid“) encarnando seu cunhado, que acaba de ser liberado do complexo de confinamento e reabilitação para reintegração em sociedade, o conflito se desenrola em cima das fortes e persistentes ligações entre os membros das “matilhas” de zumbis e seu componente dominante: o Alfa, vivido por Tom Vaughan-Lawlor (“Avengers: Endgame“).

Apesar de se passar em ambiente urbano, a direção de arte e a pós produção conseguem emprestar uma componente opressiva e claustrofóbica para a paisagem irlandesa e uma sensação de constante vulnerabilidade para os não infectados, como se estivessem confinados junto a animais selvagens a todo momento.

Cartaz de "The Cured"
Cartaz de “The Cured”

A alegoria é maior que a realidade

A componente literal do filme é interessante pela abordagem original dada pelo roteiro de David Freyne e pela aparente referência subjacente a humanidade, opressão e terrorismo, sobretudo pelo fato do filme se passar na Irlanda – onde o terrorismo doméstico se arrastou de 1917 até 2005, nas várias reencarnações do Exército Republicano Irlandes (IRA).

Tenha ou não sido intenção do diretor e roteirista David Freyne, certamente não é nocivo à uma obra ter potencial para dar vazão a diferentes interpretações por parte do público e da crítica, sobretudo por conta da falta de originalidade constante em gêneros saturados, como é o caso de filmes de Horror Pós-Apocalíptico Zumbi.

O filme sobrevive muito bem, portanto, a companheiros de gênero de menor relevância e, apesar de subestimado no ranking do IMDB, vale certamente uma conferida por parte do espectador.

Apocalipse Zumbi Zumbis