folder Categoria(s) Séries de TV
"Watchmen" (2019)
Mais que uma adaptação, a série de TV "Watchmen" é concepção uma ambiciosa e ousada de Damon Lindelof
Bruno Accioly comment Comentários access_time 5 minutos

Damon Lindelof já devia dispensar apresentações, tendo sido produtor e roteirista de “Lost” (2004 – 2010), “The Leftovers” (2014 – 2017) e estando envolvido no roteiro e produção tanto da nova série de filmes de “Star Trek” (2009 e 2013), quanto na produção e roteiro de “Prometheus” (2012).

De ótima reputação e com credenciais mais que suficientes, Lindelof assumiu o projeto “Watchmen” não como uma simples continuação do filme ou mera adaptação do material impecável dos quadrinhos, mas como um desafio de fazer algo novo, ousado e deveras ambicioso.

Trailer exibido na ComicCon 2019

Já tendo sido decretado por Terry Gilliam (de “Brazil“) que o material seria mais adequado para uma série de TV de alto orçamento, o quadrinho “Watchmen” foi lançado em 1985 e assinado por Alan Moore e Dave Gibbons causando impressões de espanto de público e crítica, dada a qualidade e profundidade temática da obra.

Os quadrinhos em si foram já baseados em personagens adquiridos da Charlton Comics pela DC Comics em 1983, mas levados às últimas consequências por Moore e Gibons.

Nos quadrinhos “Watchmen” é contada a história de heróis que alteraram o curso da história como a conhecemos, mas que estavam já aposentados, do lado errado da lei ou mortos… com uma ou outra exceção de maior projeção e posterior sucesso no mundo dos negócios.

Um destes outrora heróis acabou por se tornar patrimônio da humanidade de certa forma, sendo ele uma entidade de poderes quase sobrenaturais e cuja existência transpassava o espaço e o tempo.

Dr. Manhattan em Marte

A trama começa, contudo, com o assassinato do Comediante e a investigação conduzida por seu ex-colega de equipe, Rorschach, que acaba por descobrir uma trama misteriosa.

Sem dar maiores spoilers do material em quadrinhos e voltando para a série de TV, segundo Lindelof, a obra original é considerada pela produção como cânone e, portanto, é considerada o passado oficial do que foi produzido para a TV.

Lindelof chegou a dizer para repórteres da Television Critics Association: “Não vamos mover numa vírgula do material original. Uma das regras que temos, como storytellers, roteiristas e mesmo como produtores é que aquelas páginas não deveriam sofrer qualquer alteração e que não haverá qualquer nível de reboot.”

View this post on Instagram

Day 140.

A post shared by Damon (@damonlindelof) on

Carta aberta aos fãs, escrita em 2018

Passada décadas após os acontecimentos que se desenrolam nos quadrinhos de Moore e Gibbons, a série “Watchmen” vai se passar nos dias de hoje e dar continuidade ao material original, 34 anos depois do auto-exílio de Dr. Manhattan.

Apesar da aderência aos cânones ser muito importante para Lindelof, segundo ele o mundo descortinado na série não será exatamente um mundo reconhecível pelo leitor dos quadrinhos ou pelo espectador da adaptação de “Watchmen” (2009), de Zack Snyder.

Trata-se, segundo ele, de uma obra de história alternativa e ficção cientifica, se atendo à essência de “Watchmen” mas com o objetivo artístico de avaliar as instituições, a cultura, a política e a Comédia Humana.

A série promete não deixar pedra sobre pedra, atacando o híper-conservadorismo fundamentalista onde dói, fazendo dos seus rebentos o inimigo e colocando um grupo de Supremacia Branca como o antagonista.

O poder público esconde o rosto para se proteger

A Sétima Cavalaria, como fica conhecida, adota a máscara original de Rorschach e passa a ter como alvo policiais que, para se protegerem, passam a usar máscaras também – estabelecendo uma alegoria atual entre este conflito e o impasse nuclear da América do Norte com os Russos, que era parte da trama nos quadrinhos.

Angela Abar, vivida por Regina King, é esposa, mãe de três crianças e investigadora-chefe na polícia de Tulsa, que combate a Sétima Cavalaria, com mascarados de ambos os lados e com questionamentos constantes acerca do uso da Máscara, que acaba sendo um símbolo e um personagem constante nos episódios.

Angela Abar, encarnada por Regina King

As reflexões acerca de tudo isso e o inimigo aparentemente corriqueiro que é o movimento da Supremacia Branca se dá 34 anos após a tentativa de um personagem importante criar uma falso cataclisma, um inimigo comum que acabasse por resolver todos os problemas da humanidade: o que obviamente não funciona como esperado.

Boa parte do charme da HQ na qual se baseia a série é o elaborado trabalho de World Building feito por Moore e Gibbons e o material para a TV parece ter herdado esse mesmo interesse.

Na série Nixon teria permanecido na presidência até sua morte, sendo substituído por Gerald Ford, que teria perdido as eleições para ninguém menos que o ator Robert Redford, em 1992, que permaneceu no cargo até os dias de hoje.

Segundo Lindelof, a mordacidade presente na figura de Redford na história será explorada como um contraponto a presidência de Nixon, retratando como um presidente liberal e bem intencionado se transformaria após permanecer no cargo por mais tempo que seria prudente permanecer.

A série “Watchmen” terá sua estréia internacional dia 20 de Outubro de 2019, pela HBO Go – e você pode assitir o filme “Watchmen“, de 2009, no GloboPlay!

Trailer oficial legendado